MP apura fraude de pensões do IPE
Leandro Donatti
De Curitiba
O Instituto de Previdência do Paraná (IPE) está sob a investigação da Promotoria Especial de Defesa do Patrimônio Público e da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública. Funcionários já afastados da instituição são acusados de fraudar o sistema de pagamento de pensões, aumentando irregularmente o valor dos benefícios, privilegiando categorias de forma indevida, e ressuscitando pensionistas mortos.
As investigações já duram um ano, mas só vieram à tona agora. O escândalo vazou anteontem, durante sessão do Tribunal de Contas em Curitiba. O conselheiro João Féder aprovou a instauração de uma auditoria para investigar o pagamento de pensões astronômicas, superiores a R$ 20 mil. O superintendente do IPE, Rubens Drumond de Carvalho, confirmou a existência das pensões astronômicas, mas garantiu que o pagamento foi sustado. Hoje o IPE banca apenas uma pensão dessa monta para uma viúva casada com um servidor que, em vida, acumulava padrões no funcionalismo público.
A fraude possibilitou a existência de pelo menos quatro pensões superiores a R$ 20 mil, admitiu o superintendente. Os nomes dos envolvidos estão sendo mantidos em sigilo. Drumond de Carvalho não soube precisar o valor do rombo provocado pelos funcionários ao IPE. Mas afirmou que, no caso das pensões astronômicas, os pagamentos foram feitos por meio de suplementações e efetuados num período de dois a três meses. Uma delas favoreceu inclusive um pensionista do Tribunal de Contas, segundo o relato do superintendente.
O IPE é responsável hoje pelo pagamento de 15 mil pensões, que beneficiam cerca de 18 mil pessoas e movimentam uma média de R$ 20 milhões ao mês. Não se sabe ainda quanto do bolo mensal foi desviado.
O superintendente do IPE garantiu ainda que a concessão de pensões a beneficiários mortos também foi revertida pela direção do IPE na malha-fina desencadeada pela Promotoria e pela Polícia. Essa fraude tinha um tempo de vigência determinado, que não passava de um ou dois meses. Comprovamos a fraude nos meses de julho, setembro e outubro do ano passado.
Drumond de Carvalho acredita que será necessário um ano para a conclusão do cruzamento de dados. Este cruzamento vai dar o alcance total da fraude. Ele revelou que as investigações até agora apontam ainda o favorecimento indevido de pensionistas da Polícia Militar. Dez pessoas foram beneficiadas, estendendo um determinado incremento de pensão a setores que não tinham nada a ver, explicou. Quando soube da fraude, em julho do ano passado, o superintendente disse que o IPE buscou tecnologia antifraude na Celepar, o órgão que cuida da informática do governo.Promotoria e Polícia investigam funcionários acusados de ressuscitar pensionistas mortos e aumentar benefícios
Arquivo FolhaCHECAGEMCarvalho, do IPE: cruzamento de dados vai revelar extensão do rombo provocado pelos servidores acusados de causar prejuízo





