O promotor de Assaí Renato de Lima Castro, está investigando a denúncia de que medicamentos fornecidos nos postos de saúde do município seriam fraudados. A denúncia foi feita no dia 22 pelo presidente da Câmara de Vereadores, Alaor Euzébio dos Santos (PSB).
No dia 23, o promotor ajuizou uma medida cautelar e um pedido de busca e apreensão de medicamentos nas unidades de saúde. O pedido foi acatado no dia 24 pela juíza da Vara Criminal Sônia Fuzinato. O promotor se negou a conceder entrevista. A Folha também não pôde ter acesso aos autos no Fórum de Assaí.
De acordo com o vereador, a informação de que medicamentos seriam fraudados foi repassada por um médico da rede municipal. ''Ele falou para mim: 'Você tem que fiscalizar melhor as coisas, porque eles estão comprando medicamentos B.O. aqui em Assaí, que é o remédio 'bom para otário'. Seria um remédio com baixo efeito medicinal'', relatou. Segundo Santos, o promotor já teria tomado o depoimento do médico.
A denúncia foi confirmada por um médico do município, que pediu para não ter a identidade revelada. ''Uma vez tentei baixar a febre de uma criança com dipirona sódica fornecida pelo posto e não fez efeito. Acho que pode ter alguns medicamentos 'B.O.' sim. Às vezes tenho que pegar medicamentos do meu consultório'', relatou o médico. ''Acho muito bom que se faça a análise (dos medicamentos)'', complementou.
O secretário municipal de Saúde, José Luiz Pançan, repassou a responsabilidade para o governo do Estado. Ele explicou que cerca de 95% dos medicamentos fornecidos nas unidades de saúde são licitados e repassados pelo governo, por meio do convênio ''Assistência Farmacêutica''. ''Se esse problema está acontecendo em Assaí, não é só em Assaí, está acontecendo no Paraná inteiro'', alertou. ''Quem licita esses medicamentos é o próprio governo do Estado.'' A cada três meses, o município tem direito a uma verba de R$ 8,5 mil, repassada pelo governo em medicamentos.
Por determinação do prefeito Mário Sato (PSDB), todos os postos de saúde não estão liberando medicamentos para a população. ''Eu sou o primeiro a me interessar em averiguar se realmente esse medicamento não tem o princípio ativo que consta na bula e na caixa do medicamento. Se houver essa irregularidade, não é só nossa, é do Estado, do consórcio e vai envolver uma gama maior de municípios'', disse.

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