MP apura empréstimos a vereadores de Arapoti
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de maio de 2002
Benedito Teles <br>Equipe Folha 
A Câmara de Vereadores de Arapoti (149 km ao sul de Jacarezinho) tem até o dia 11 para encaminhar ao Ministério Público (MP) documentação referente a balancetes e notas fiscais de combustível. A determinação faz parte de um inquérito civil público aberto pelo MP em abril para apurar denúncias de desvios de recursos públicos. A suspeita é que parte do valor repassado mensalmente pela prefeitura ao Legislativo era desviado por meio de empréstimos e vales. O desvio, estimado em R$ 100 mil, corresponde ao período entre janeiro de 2001 e março de 2002.
Anteontem, dois auditores do Tribunal de Contas também encerraram uma visita de dois dias à Câmara para analisar as contas e documentos do órgão. O relatório do TC deve ser encaminhado para o MP nos próximos 30 dias. Após a conclusão do Tribunal de Contas, o MP deve ajuizar uma ação civil pública por improbidade administrativa contra os vereadores envolvidos.
A promotora de Justiça Adélia Souza Simões, de Arapoti, informou que a investigação teve início em março. No dia 15 de abril, ela ouviu um funcionário que teria confirmado o esquema. Em seguida, a Justiça autorizou a busca e apreensão de documentos no cofre da Câmara. Foram apreendidos, além de vales, fichas e canhotos de cheques.
A promotora não adiantou o número ou o nome dos vereadores suspeitos, mas confirmou que a maioria, dos onze vereadores, está envolvida. Adélia Simões acredita que os recursos eram concedidos sem juros ou prazos de pagamento. O salário mensal dos vereadores é de R$ 1,8 mil.
O prefeito Emiliano Carneiro Kluppel (PSB) disse que vai aguardar a manifestação da Justiça para comentar o caso. O prefeito informou que eram repassados, em média, R$ 36 mil à Câmara. Ele explicou que no início de cada mês a Câmara apresentava a previsão de gastos e até o dia 20 do mesmo mês o valor era pago pela prefeitura. O repasse, segundo ele, é destinado para a manutenção do local e pagamento salarial dos vereadores e funcionários mas não para empréstimos. O presidente da Câmara, Orlando Souza (PPB), não retornou as ligações feitas pela reportagem da Folha.


