Cianorte - O Ministério Público de Cianorte (80 quilômetros a leste de Umuarama) está investigando o desvio de dinheiro do Programa Econômico Social Familiar, criado em 1998 pela administração municipal de Cianorte para ajudar famílias carentes. O programa recebe verbas do Fundo de
Assistência Social e prevê o pagamento de R$ 210,00 para cerca de 150
famílias carentes do município. A chefe do programa, a servidora municipal
Maria José de Lima França é a principal suspeita de desviar os recursos.
De acordo com o promotor Joelson Luis Pereira, a primeira denúncia foi
feita em meados de 2003. Em janeiro deste ano, através de um vereador da
cidade, o MP teve acesso à documentos que comprovam a irregularidade. Maria
José é acusada de manipular a lista das famílias carentes e falsificar
assinaturas para receber parte do benefício disponível no programa.
Conforme o prefeito de Cianorte, Flávio Vieira (PFL), a administração
municipal investiga a irregularidade desde dezembro de 2003, com a
criação de uma comissão de sindicância e instaurou processo
administrativo contra Maria José. Segundo ele, a servidora foi exonerada do
cargo de chefia do programa social. De acordo com Vieira, a irregularidade
foi descoberta a partir de um cheque que foi preenchido errado e emitido
pela prefeitura em dezembro do ano passado para pagamento do benefício
previsto pelo programa social. Ao tentar receber o valor do cheque na
própria prefeitura, o dono do posto acabou revelando que o marido de Maria
José era o portador do cheque. Através de um levantamento feito nos
cadastros das famílias contempladas pelo programa, o prefeito disse que a
comissão de sindicância encontrou várias irregularidades. Além de emitir
cheques para nomes de pessoas que não eram contempladas pelo programa, houve
falsificação de assinaturas.
Como o programa entrou em vigor no início de 1998, a estimativa, de acordo
com o promotor Joelson Luis Pereira, é que o desvio do dinheiro público
pode chegar a R$ 1 milhão. Maria José está sendo denunciada por crime de
peculato - apropriação de verba pública - e falsificação de documentos. O MP
está pedindo a indisponibilidade de bens da servidora como garantia de
ressarcimento ao poder público. A Folha não localizou Maria José ontem.

mockup