MP apresenta nova denúncia contra Bonilha
Para coroar a semana de ''inferno astral'' de Orlando Bonilha (PR), como definiu seu advogado, o Ministério Público (MP) ofereceu ontem mais uma denúncia contra o vereador - a terceira do ano. Ele é novamente acusado de concussão, dessa vez por contratar assessores em troca de parte de seus salários. Além dele, também foi denunciado o publicitário e assessor do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel) Márcio de Mello Piornedo.
De acordo com a denúncia, entre abril e dezembro de 2004 Bonilha, então presidente da Câmara Municipal, teria exigido metade dos vencimentos mensais de Adilson Marques Martins, contratado como assistente de áudio e vídeo da Câmara. Segundo os promotores, o ''repasse'' seria de R$ 830/mês, subtraídos de um salário de R$ 1.680. Os saques eram feitos numa agência bancária no prédio da prefeitura.
O contato com o servidor teria sido feito por Piornedo, que posteriormente também teria intermediado entregas de dinheiro a Bonilha. ''O vereador se aproveitava do fato de ter a disponibilidade dos cargos em comissão, já que podia contratar ou exonerar qualquer funcionário sem justificativa'', sublinhou o promotor de Patrimônio Público Renato de Lima Castro. Segundo ele, Martins admitiu os fatos descritos em interrogatório.
Ainda conforme os promotores, há indícios de que outros três assessores do gabinete de Bonilha - Marcelo Mendes, Rosângela Alajarilla Paiva e Terezinha Vieira da Silva - teriam sido vítimas da concussão entre 2003 e 2006. Estes, entretanto, ''não contribuíram para as investigações, pela razão lógica de que continuam desempenhando os cargos em comissão'', afirmou Castro.
As diligências tiveram origem na denúncia apresentada pela auxiliar de cabeleireira Vilma de Fátima Louzert, que relatou ao MP ter se negado a entregar a Bonilha parte de seus vencimentos. A denúncia foi protocolada na 3 Vara Criminal.
Assim que soube da denúncia, o prefeito Nedson Micheleti (PT) determinou o afastamento imediato de Piornedo do Idel. Ele não foi localizado pela reportagem ontem.
O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, acusou o MP de estar ''tentando criar um ambiente de clamor popular, para tentar justificar um posterior pedido de prisão''. Segundo ele, o vereador garante que jamais reteve salários de servidores. (V.N.)





