MP apreende R$ 230 mil em Goiânia
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sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O Ministério Público de Londrina localizou R$ 230 mil do dinheiro desviado do município na gestão do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL). O valor, levantado em licitações fraudulentas realizadas na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), foi parar numa conta bancária do médico Anis Rassi, de Goiânia (GO), aberta no Banco Santander. Uma liminar do juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau Araújo Ribas, bloqueou o recurso. A medida foi tomada no início do ano mas vinha sendo mantida em sigilo até ontem.
Médico vendeu dólares e valor da transação passou por laranjas de Londrina ligados ao golpe das licitações fraudadas na prefeitura
O promotor Cláudio Esteves, que investiga os desvios de recursos na Prefeitura de Londrina, confirmou ontem que o MP localizou em Goiânia o recurso mas não informou o nome dos envolvidos. A Folha chegou a Anis Rassi depois de uma consulta no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, onde tramita um mandado de segurança, proposto pelo médico, tentando desbloquear os R$ 230 mil. O caso está com o desembargador Otto Sponholz.
O MP descobriu o valor rastreando o dinheiro desviado da prefeitura em licitação vencida pela empresa Gomes & Amâncio, de Londrina. A empresa recebeu o dinheiro mas não realizou o serviço. Antes de chegar a Goiânia, o valor ainda passou pela conta de uma empresa laranja, especializada no ramo de material escolar. O valor inicial era R$ 340 mil R$ 110 mil foram utilizados pelo médico e o restante, R$ 230 mil, bloqueados pela Justiça.
Em entrevista à Folha, por telefone, Anis Rassi declarou ontem que o dinheiro tem origem na venda de US$ 200 mil a um doleiro da capital goiana, conhecido por Valderez, em fevereiro ou março do ano passado. O médico recebeu os R$ 340 mil no negócio. Mas só entreguei os dólares depois que ele me mostrou que havia entrado um depósito na minha conta corrente, em reais, disse. Ele afirmou ainda que os dólares têm origem comprovada e que só os vendeu para ajudar na construção de um hospital, que o médico está fazendo com sócios. Não foi nada escondido.
O médico destacou que não tinha como saber a origem do dinheiro depositado em sua conta, já que os extratos bancários não dão esse tipo de informação. Eu vi o depósito e entreguei os dólares. Foi um negócio que não tinha nada a ver com Londrina. Se tivesse escrito no depósito que o dinheiro veio de Londrina, interrogaria o doleiro, lamentou.
Rassi disse que chegou a procurar o doleiro para saber o que aconteceu. A resposta foi que, antes de pegar os dólares, Valderez negociou o valor com um doleiro de São Paulo que, por sua vez, os vendeu para uma pessoa de Londrina possivelmente algum beneficiário do esquema de desvio de recursos da prefeitura. O doleiro disse ainda que já não tem mais dinheiro para pagá-lo caso não consiga o desbloqueio.
O médico conta que estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em fevereiro deste ano, quando soube do bloqueio. Isso me causou problemas porque me internei como doente particular e tive gastos em torno de R$ 30 mil. Contava com o dinheiro para pagar o hospital, revelou. Rassi informou ainda que esteve em Londrina há mais de 15 anos e que só conhece alguns profissionais da área médica. O Belinati nunca vi na vida, só na televisão, afirmou.


