O depoimento de Orlando Bonilha (PR) ao Ministério Público (MP), esta semana, rendeu ontem as primeiras medidas judiciais que podem comprovar a veracidade ou não do que foi dito até agora por ele no esquema de delação premiada. A juíza substituta da 3 Vara Criminal, Zilda Romeiro, acatou pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e expediu seis mandados de busca e apreensão - três dos quais já cumpridos em propriedades do vereador afastado Renato Araújo (PP): um na residência dele, na Vila Brasil (Centro), um numa chácara em Tamarana (Zona Sul) e um terceiro no escritório de apoio a seu cartório, no Centro Cívico, de frente para à Câmara Municipal.
Na residência, foi apreendida uma agenda do vereador, afastado do posto pela Justiça em função da ação penal por formação de quadrilha e concussão, da qual é réu juntamente com outros quatro colegas de plenário. No escritório, após uma varredura de quase três horas acompanhada pelo vereador, oficiais do Gaeco levaram um malote cheio de documentos, recibos e agendas.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, que acompanhou a busca na residência, disse que o artigo seria levado ''para verificação''. Questionado pela FOLHA se a agenda apreendida teria relação com uma agenda citada no depoimento por Bonilha - segundo qual Araújo anotaria nomes de vereadores que efetivamente receberiam suposto ''mensalinho'' da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) -, Flore resumiu: ''Isso também é objeto de investigação, mas não podemos antecipar por ora''.
O Gaeco não informou o teor das apreensões na chácara. No escritório, os promotores Renato de Lima Castro e Leila Voltarelli, presentes com policiais, oficiais de Justiça e o advogado de Araújo, Adolfo Góis, também preferiram não se manifestar sobre o conteúdo do material. ''Pedimos a busca com base nas declarações de Orlando Bonilha - isso será analisado para vermos se existe algo interessante para objeto das investigações'', resumiu o promotor.
O decano, que saiu antes de encerrar a busca, disse não ter ''nada a esconder'': ''Se tivesse algo (a esconder), não seria aqui, na minha casa ou em minha chácara. Não criei objeções ao cumprimento do mandado, mas isso meu causa um constrangimento''.
Sobre o depoimento em que Bonilha o citou como um dos centralizadores de verbas pagas a vereadores pela TCGL - o que a empresa nega peremptoriamente; alega que ''não precisa do Legislativo, mas do Executivo'' -, explicou: ''O Bonilha está tentando se passar por vítima envolvendo outras pessoas. O que eu anotei em uma das minhas agendas foram os R$ 600 que eu emprestei a ele (Bonilha), e que ele me devolveu. Não foi a primeira vez que emprestei dinheiro a ele, e fiz isso com vários vereadores''.
Soltura
Enquanto um dos mandados eram cumpridos, outro, o de soltura de Bonilha, era enviado à Vara de Execuções Penais (VEP) pela juíza da 5 Vara Criminal, Fabiana Bressan. Ela atendeu o pedido formulado pela defesa do ex-vereador, na véspera, e por volta de 17h30 Bonilha deixou rapidamente, no carro de seu advogado, Ronaldo Neves, o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), onde estava desde terça.

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