Onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta terça-feira (25) nos municípios de São Jerônimo da Serra, Nova Tebas e Sapopema, no Norte Pioneiro, no âmbito da operação Bola de Neve, do MP (Ministério Público) do Paraná, que investiga crimes de associação criminosa, peculato e corrupção ativa e passiva. Entre os alvos da operação estão as residências do prefeito afastado de São Jerônimo, João Ricardo Melo, e do ex-presidente da Câmara local, Gilmar Rocha, e do prefeito de Nova Tebas, Clodoaldo Fernandes.

Prefeito de São Jerônimo da Serra está afastado após operação do Gaeco, ano passado
Prefeito de São Jerônimo da Serra está afastado após operação do Gaeco, ano passado | Foto: Gustavo Carneiro/16-10-2019

De acordo com o promotor de Justiça da comarca de São Jerônimo, Danillo Paes Leme, o esquema de "rachadinha" na Câmara Municipal de São Jerônimo da Serra foi descoberto após investigação da Operação Dejà Vu, deflagrada em outubro do ano passado pelo Gaeco (Grupo Apoio Especial de Combate ao Crime Organizado). Segundo as investigações, a partir da apreensão de um pen drive que estava em poder do prefeito afastado foram encontrados indícios de desvios, que teriam ocorrido mediante a inserção de verbas complementares nas folhas de pagamento de servidores para que, posteriormente, fossem devolvidos e repassados a vereadores em troca da obtenção de apoio político ao gestor público. "Esse dinheiro não era devolvido direto ao prefeito ou vereador. Ele era usado para pagar um advogado com escritório em Sapopema que promovia as defesas dos dois em eventuais ações que respondiam", afirmou o promotor.

O prefeito Ricardo de Melo está afastado do cargo há 10 meses por ser réu em ação penal da Dejà Vu por participação em suposto esquema de irregularidades em licitações. Ele foi absolvido da acusação de infração político-administrativa em março deste ano pela Câmara Municipal em votação apertada (5 votos a 4). Já o ex-vereador Gilmar Rocha renunciou do cargo em 2018 após ser alvo da Operação Rei de Paus, que investiga desvios de verbas do Legislativo para conta bancária do então presidente da Câmara.

Por sua vez, o prefeito de Nova Tebas é investigado por irregularidade semelhante à motivação da Deja Vu. Ou seja, um suposto esquema de fraude a licitações e falsificações de compras de peças de veículos relacionadas à entrega, pelo prefeito, de uma motoniveladora no município que precisava de conserto.

O apelido Bola de Neve tem um propósito. Essa é a quarta operação do Gaeco num intervalo de seis anos em São Jerônimo, já que cinco anos antes a Operação Sucupira também havia desbaratado esquema de fraude a licitações no município do Norte Pioneiro que envolveu um outro prefeito, seus filhos, entre outro agentes públicos, também por fraudes.

OUTRO LADO

A defesa de João Ricardo de Mello e do advogado Fábio Maximiniano de Souza, conduzida pelo advogado Maurício Carneiro, esclareceu que nada de irregular foi encontrado nas buscas e ambos estão tranquilos em relação ao procedimento judicial. A defesa disse ainda que não teve acesso ao processo, mas tanto o prefeito como o advogado se colocaram à inteira disposição da Justiça para esclarecimentos necessários. O advogado afirmou que aguarda ter acesso ao processo para mais informações. A FOLHA tentou, sem sucesso, contato na Prefeitura de Nova Tebas. O ex-vereador também não foi localizado.

No âmbito da Bola de Neve, o Tribunal de Justiça acatou pedido do Gaeco com medidas cautelares diversas à prisão que proíbem os investigados de frequentarem os prédios das prefeituras, das câmara municipais, além de entrar em contato com testemunhas.

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