Pelo menos R$ 400 mil repassados pela Prefeitura de Londrina ao Grêmio dos Operários (Gespel) para o pagamento de seguros de vida de servidores municipais foram retidos na entidade, ao invés de quitarem o débito. A informação consta das análises feitas pela Auditoria do Ministério Público (MP) e encaminhadas ontem à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que as analisará para decidir se abre ou não inquérito para apurar crime de apropriação indébita. Para o promotor Cláudio Esteves, porém, existem ''fortes indícios'' de que a prática criminal tenha de fato ocorrido.
Segundo Esteves, o estudo feito pelos auditores comprovou que o dinheiro foi efetivamente repassado à entidade, de abril de 2004 a abril deste ano, e não destinado ao grupo Bradesco, com o qual eram mantidas duas apólices de seguro: uma individual de pouco mais de R$ 7 mil mensais e outra, coletiva, de cerca de R$ 50 mil ao mês. Conforme o promotor, pelo menos mais três empresas teriam mantido negócios com o Gespel nesse período, entre as quais a atual seguradora, a Real. Mesmo assim, ressalvou, o não pagamento ocorreu somente à Bradesco.
''Ainda não analisei tudo o que a Auditoria mandou, mas nada impede que tenha havido mais irregularidades. Por ora, penso que há indícios de crime de apropiação a menos que nos digam para onde foi esse dinheiro'', disse Esteves. Ainda de acordo com ele, é possível que seja pedida a quebra de sigilo bancário dos atuais membros da diretoria e o depoimento deles. Entretanto, procedimentos como esses só devem ser adotados após a PIC se reunir com os integrantes da Comissão Especial de Investigação (CEI) formada na Câmara de Vereadores para apurar a denúncia, encaminhada em maio passado pela Associação Municipal de Aposentados.
Além do material encaminhado pelo próprio Grêmio, a análise da Promotoria recebeu ainda documentos da Prefeitura, do Fundo Municipal de Saúde (FMS) e da Caapsml (Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina), apontadas como as três fontes de receita da entidade. ''Por enquanto, vamos ver junto à CEI o que ela já fez, até para não coincidirem as providências.''
Para o presidente da CEI, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o valor da verba que pode ter sido retida não surpreende. ''Esperávamos até mais, dadas as informações extra-oficiais que já recebemos da Bradesco'', declarou. O controlador-geral do município, Sinival Osório Pitaguari, considerou que a análise do MP ''é grave e complica a situação do Grêmio''. Mas a retirada da entidade da condição de estipulante vai depender da finalização das investigações.
Presidente do Grêmio desde maio de 2004, Luiz Bispo da Silva preferiu classificar o resultado da auditoria como ''uma análise geral'', mas negou que tenha havido retenção. Em seguida, contudo, Bispo ressalvou que ''tem somente duas retenções com a Bradesco'', mas não soube dizer de quanto nem de quando são. ''Vou analisar isso tudo com o meu jurídico e só então explicar o que aconteceu'', finalizou.

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