Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual recebeu ontem o relatório final da CPI do Banestado. O relatório que contém 38,7 mil páginas escritas, anexo de 40 mil páginas de auditorias internas e externas, seis volumes com 5 mil páginas de quebra de sigilo, extratos bancários e informações da Receita Federal sugere que sejam movidas ações contra o Banco Central (BC), 17 ex-dirigentes do Banestado, empresas e pessoas físicas que tenham contribuído para o rombo no banco, privatizado em 2000.
O relatório foi recebido pela procuradora-geral da Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, que prometeu um posicionamento preliminar sobre o relatório até o final deste mês. As análises feitas pelos parlamentares foram remetidas para a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, órgão vinculado ao MP, e serão apreciadas pelo promotor Carlos Alberto Choinski. O MP tem mais de 30 procedimentos investigatórios que envolvem o Banestado instaurados, incluindo questões como saneamento e privatização, avaliação de operações irregulares (caso da Banestado Leasing) e a manutenção das contas do governo do Estado no Banco Itaú.
Cerca de dez ações civis públicas e de improbidade administrativa relacionadas ao Banestado já foram ajuizadas. ''O relatório da CPI poderá ajudar a instruir as investigações já existentes ou fornecer dados para instauração de novos procedimentos investigatórios'', afirmou a procuradora, ao receber os autos das mãos dos deputados que fizeram parte da CPI.
Na quinta-feira, o relatório será entregue ainda ao Ministério Público (MP) federal, que deverá propor ações referentes ao envio de dólares ao Exterior e a suposta negligência e omissão do BC quanto à situação irregular do Banestado. As investigações dos parlamentares deverão ser ainda encaminhadas para a Procuradoria Geral do Estado (PGE), com recomendação de abertura de ação indenizatória contra o BC e a Caixa Econômica Federal (CEF), que juntos teriam causado um prejuízo aos cofres públicos segundo os parlamentares de mais de R$ 2,2 bilhões.

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