MP analisa 800 denúncias contra prefeitos
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Lino Ramos<BR>De Londrina 
O Ministério Público Estadual recebeu somente este ano mais de 800 denúncias criminais contra prefeitos paranaenses, todas relativas a irregularidades contra o patrimônio público. O número foi revelado ontem pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Marco Antonio Teixeira, que veio a Londrina para participar do congresso ''O Ministério Público e a Cidadania Plena''. Todas as denúncias, segundo ele, estão sendo analisadas. Teixeira acrescentou que o MP ainda mantém cerca de mil investigações sobre improbidade administrativa, além de 250 ações que foram propostas na Justiça.
Teixeira nega que a atuação do MP tenha sido mais tímida quando se trata do governo do Estado. ''Posso assegurar que existem várias ações contra o governo'', garantiu citando a denúncia sobre a compra irregular de jaquetas para a Polícia Militar (PM) e as denúncias sobre a aquisição de títulos podres, com caução de ações do Banestado. ''Temos várias investigações importantes envolvendo o governo do Estado, muitas envolvem dados sobre a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e levam bastante tempo.''
Para Teixeira, existe um ''respeito recíploco'' entre o MP e a classe política. Ele diferenciou, porém, respeito de medo. ''Acho que a maioria (dos políticos) respeita; já os que têm algum envolvimento, talvez temam.'' Segundo o procurador, hoje o MP incomoda porque atinge as classes mais ricas. ''Há 25 anos o MP não incomodava porque era voltado à classe mais pobre da população.''
O procurador disse ainda que o MP deverá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a revogação das prisões dos réus do escândalo AMA-Comurb, concedida pelo Tribunal de Justiça (TJ). Ele também comentou a justificativa do ''clamor popular'' para as prisões preventivas, um dos argumentos usados pelo MP de Londrina na prisão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e outros acusados.
Teixeira fez uma análise ''desvinculada'' das ações propostas em Londrina e disse que o clamor popular não pode ser o único fator para determinar uma prisão. ''Essas prisões, no curso do processo, não são condenações, elas visam apenas o transcorrer normal do processo, quando alguém estiver manipulando provas ou coagindo testemunhas.'' O Congresso do MP começou ontem à noite no Hotel Sumatra, com a palestra do senador gaúcho Pedro Simon (PMDB).


