MP amplia investigações sobre terrenos
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, irá apurar se empresas que foram beneficiadas com terrenos pelo município, fizeram doações não declaradas à Justiça Eleitoral para a campanha à reeleição de Nedson Micheleti (PT).
Esta semana, o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal (PF) tomaram depoimentos dos proprietários da HayoniK Indústria e Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. Eles receberem uma área de 12 mil metros quadrados em abril de 2004 e confirmaram que os cheques anexados ao inquérito, datados do dia 24 de agosto de 2004, dois de R$ 3 mil e um de R$ 4 mil, foram para a campanha petista. A doação, feita pela empresária, Nilda Hayama, não consta na prestação de contas oficial. ''Se foi doação para a campanha violou-se a lei eleitoral porque não se deu recibo e não se declarou oficialmente na prestação de contas. Aí já temos o crime do artigo 350 do Código Eleitoral, que é omitir informações ou dar informações falsas à Justiça Eleitoral na prestação de contas'', disse.
''Se por acaso temos uma situação de uma empresa que doou de forma não contabilizada para o Partido dos Trabalhadores, eventualmente porque tenha recebido a doação de um terreno e tenha ficado grata por essa doação, vamos ter que investigar todas as empresas que receberam doação de terreno porque aí teríamos a possibilidade de ter inúmeras outras doações eleitorais não contabilizadas. As pessoas que não devem nada, não têm o que temer'', explicou o promotor.
Ontem, após entregar camisetas e botons da campanha para o MP, a ex-assessora financeira Soraya Garcia, reafirmou trecho do seu depoimento à PF, em que diz que pegou na Hayonik três cheques de R$ 10 mil. ''Eu só fui lá buscar cheques e foi no dia 31, e não no dia 24. No dia 24 se foi, não fui eu. Eu vi três cheques de R$ 10 mil e vi em nome da empresa Hayonik'', afirmou. Soraya disse não ter conhecimento dos cheques anexados ao inquérito.
Conforme a ex-assessora, os cheques de R$ 10 mil teriam sido depositados em três boletos diferentes a pedido do ex-coordenador estrutural Augusto Ermétio Dias Júnior. ''Ele fez três boletos e mandou eu depositar na Caixa Econômica da Cohab'', relatou, sem especificar em quais contas teriam sido feitos os depósitos.
O advogado dos empresários, Marcus Grassano, negou que eles tenham feito mais doações para o PT. ''Temos três cheques que totalizam R$ 10 mil. Não foi feita nenhuma outra doação'', afirmou. ''Ela afirmou uma coisa que depois se comprovou que não é verdade e agora está querendo reafirmar para que ela não caia em contradição'', argumentou Nedson.
Conforme o prefeito, a não contabilização da doação foi um equívoco que pode ser corrigido junto à Justiça Eleitoral. ''Não foi emitido recibo, não foi contabilizado na campanha por uma falha do Augusto. Não sei porque ele depositou na conta dele, e não se apropriou pessoalmente também. O que ele gastou foi na campanha. Isso se corrige, se contabiliza'', afirmou Nedson, reconhecendo que ainda não conversou com Augusto. ''Ele está constrangido.''
Nedson ainda refutou qualquer ilação entre as doações dos terrenos e de recursos para a campanha. ''Em nenhum momento usamos a máquina pública, uma campanha como a nossa que nunca teve denúncia desse tipo, de vincular operações de governo e contribuições. Empresários e qualquer pessoa física em Londrina têm suas relações na cidade. Se a pessoa que operacionalizou isso foi o Gabriel (Campos, presidente da Codel) não tem vínculo algum com a questão administrativa'', defendeu.
Além do terreno da Hayonik, os empresários também foram beneficiados em 2004 com a doação de uma área de 10 mil metros quadrados na Gleba Lindóia para instalação da Hayama Indústria e Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda.
Segundo a página eletrônica da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), outras 44 áreas foram doadas para indústrias no Programa de Incentivo implantado pela Prefeitura. ''Espero que Polícia Federal não vá entrando na casa dos empresários e nas empresas só em cima desse tipo de suspeita porque, primeiro não é verdadeira e aquele que contribuiu não fez nenhum tipo de ilícito. Quer investigar, investigue, mas com esse respeito aos empresários, às empresas que estão investindo em Londrina. Não acho que seria de bom senso fazer operações como essa que foi feita com a HayoniK'', disse Nedson, criticando os quatro mandados de busca e apreensão cumpridos nas empresas do casal Hayama e na residência dos empresários. ''Está dentro da normalidade, da legalidade, não há nenhuma agressão e tudo correu sem nenhum incidente'', argumentou o promotor.
Sobre o parecer prévio do Tribunal de Contas que desaprovou as contas do município de 2002, Nedson disse que todos os pontos levantados serão devidamente justificados. ''Não tenho dúvidas que após a nossa resposta, nossas contas serão aprovadas sem problemas.''


