MP alega que AL forneceu dados incompletos
Curitiba - Uma nota oficial divulgada ontem pelo Ministério Público (MP) do Paraná rebate as críticas feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Estado, Nelson Justus (DEM). Segundo o MP, as buscas e apreensões foram necessárias diante das informações incompletas fornecidas e da tentativa concreta de dificultar o acesso do Ministério Público a documentos considerados imprescindíveis.
Já o presidente Justus afirma que as buscas e apreensões não eram necessárias porque a AL tem respondido todas as solicitações do MP e que o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que comandou a Operação Ectoplasma II, nunca solicitou nenhuma informação.
O procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco, ligado ao MP, confirmou ontem que o Gaeco de fato não solicitou nada à AL. Até porque a gente não precisa pedir que ninguém entregue a prova do crime, disse Batisti. Sabíamos que a Promotoria do Patrimônio Público não tinha conseguido todas as informações e lá (no dia da Operação Ectoplasma II) os funcionários até explicaram que teriam dificuldades em levantar os dados. Mas, existindo indícios de crime, há necessidade de colher provas. É um procedimento natural, argumentou ele.
Em relação à prisão do diretor da gráfica, Luis Monteiro, Batisti afirmou que ele já tinha sido ouvido anteriormente pela Promotoria do Patrimônio Público e que, naquela ocasião, havia sido evasivo, nitidamente por temor. Ontem, a Reportagem foi na gráfica da AL para tentar falar com Monteiro, mas ele não quis dar entrevista: Tudo que eu tenho para falar eu já falei para o Gaeco.
Na nota oficial, o MP também reforça que as buscas e apreensões foram direcionadas aos departamentos administrativos da Casa: Não houve nesta oportunidade qualquer ingerência relativamente aos Parlamentares, uma vez que a ordem judicial emanou de Magistrado de primeira instância. O MP também informa que os documentos e equipamentos apreendidos serão não só restituídos com a presteza possível, tão logo examinados e periciados, como também o necessário sigilo dos dados será devidamente preservado.
OAB
O presidente da Ordem dos Advogados do Brail (OAB) no Paraná, José Lucio Glomb, também se manifestou ontem sobre a Operação Ectoplasma II. Glomb disse que, ao contrário do que declara o presidente Justus, a operação comandada pelo Gaeco no sábado não representou ameaça à atividade parlamentar. Não vejo que a inviolabilidade parlamentar, assegurada pela Constituição, tenha sido ameaçada. A Ordem dos Advogados do Brasil será sempre a primeira a se rebelar contra ameaças aos parlamentares e à democracia, afirmou ele. (C.S.)





