O juiz substituto da 1 Vara Cível de Londrina, Mário Nini Azzolini, analisa nos próximos dias se aceita ou não o pedido de afastamento de oito servidores da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) acusados de praticar atos de improbidade administrativa que teriam importado em enriquecimento ilícito de R$ 15,8 mil cada. A solicitação foi feita em ação civil pública da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. À exceção do afastamento - requerido apenas aos servidores municipais -, as demais imputações atingem também o ex-vereador Orlando Bonilha e seu apadrinhado, o ex-superintendente da autarquia Osvaldo Moreira Neto, o técnico em tanatopraxia André Maia e os empresários Gefferson Martins e Osmar Martins.
Esta já é a terceira ação referente aos casos de suposta coação para que famílias contratassem os serviços de tanatopraxia (conservação de cadáveres) das duas únicas empresas que realizam o serviço a usuários da Acesf, a Tanatorium Bom Pastor e Tanatoll. Em 1º de junho, o Gaeco apresentou ação criminal contra os mesmos 13 nomes - entre os servidores, Mauro Pinto Ferreira, Carlos Martinelli, Luiz Carlos Teodoro, Antonio Vaz Viana, Claudemir Mendes, Ilson Barbosa, Neio Bandeira e Geraldo Lopes da Silva Junior - por formação de quadrilha e, no caso dos agentes públicos, também por concussão. Em ação civil pública do último dia 1º, a Promotoria de Defesa do Consumidor pediu a devolução do dinheiro às vítimas e indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil. Na semana passada, a 9 Vara Cível infederiu pedido de liminar pelo bloqueio de bens dos denunciados.
Na ação civil pública de ontem, são elencados 14 relatos de vítimas de suposta coação sofrida entre 2 de junho de 2005 e 31 de março de 2008. Conforme o documento, os denunciados ''agiram dolosamente, ao estabelecerem nítida empresa delituosa no âmbito da Acesf, com o propósito de utilizarem de suas funções públicas para exigirem dos familiares dos falecidos vantagens patrimoniais indevidas, consistente no pagamento pelo indevido serviço de tanatopraxia''. Para os promotores, agentes públicos e também os particulares, denunciados, feriram princípios constitucionais como a moralidade e a lealdade às instituições - ainda mais, diz trecho dos autos, por se tratar do aproveitamento de ''momento difícil da vítima, atormentada com o falecimento de seu ente querido, para exigir-lhe a realização de um procedimento de tanatopraxia''.
Moreira Neto não atendeu as ligações - mas tanto ele quanto os demais acusados negaram qualquer participação em eventual esquema, no decorrer das investigações. ''Nem o Bonilha nunca teve algum tipo de vantagem nisso - esse assunto lhe é totalmente estranho'', disse seu advogado, Ronaldo Neves. Para a superintende da Acesf, Camila Kauam, não há motivos para afastamento dos servidores por parte da autarquia - o MP alega que eles teriam livre acesso a documentos, nos cargos. ''Eles não têm total acesso à documentação, e, desde que voltaram aos trabalhos (três haviam sido afastados), não tivemos problemas'', resumiu.

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