O Ministério Público (MP) de Londrina já denunciou o desvio de quase R$ 10 milhões (valor não corrigido) dos cofres públicos municipais no escândalo AMA/Comurb nos anos de 98 e 99. O valor já contabiliza as duas novas ações ajuizadas ontem pelos promotores.
Na ação criminal que cita o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e outras 15 pessoas, o MP denuncia o desvio de R$ 175 mil da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), em 98. Conforme a reportagem apurou, a denúncia pede a prisão preventiva de alguns citados.
A nova ação civil pública denuncia 23 pessoas pelo desvio de R$ 580 mil. Além do ex-prefeito, os promotores também denunciam o empresário e doleiro Alberto Youssef, que teria recebido um cheque no valor de R$ 50 mil. Youssef já teve a prisão preventiva decretada duas vezes em ações criminais ajuizadas pelo desvio de dinheiro da prefeitura.
Segundo o advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, o doleiro explicou ao MP a origem desse dinheiro. ''Ele foi chamado a responder porque o cheque entrou na conta dele, ele respondeu de quem foi que ele recebeu o cheque. Eu não lembro o nome, mas ele disse'', argumentou. ''Não existe crime. Vou fazer a defesa prévia e duvido que o juiz vá receber (a denúncia). É mais uma absoluta fantasia que cria o MP estadual contra o Alberto'', complementou o advogado.
O MP também denunciou o encaminhamento de R$ 350 mil para três contas correntes em Santana do Livramento (RS). ''Descobrimos mediante a quebra de sigilo que vários cheques foram depositados em três contas diferentes em Santana do Livramento, na divisa do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Segundo apuramos, essas pessoas (titulares das contas), são pessoas ligadas ao câmbio de moeda estrangeira'', afirmou um dos autores das ações, promotor Cláudio Esteves. ''Como isso tudo ainda depende de uma certa apuração e não diz respeito a ação civil ajuizada nesse momento, estamos encaminhando cópias ao Ministéiro Público Federal e a Polícia Federal de Santana do Livramento, visando apurar a situação de lavagem ou da existência de contas fraudulentas.''
Desde que se iniciaram as investigações, em fevereiro de 99, o MP já protocolou 13 denúncias criminais e 32 civis. ''Está se fechando o caso AMA/Comurb'', afirmou a promotora Solange Vicentin, ressaltando que novas ações ainda devem ser ajuizadas no segundo semestre e que outros órgãos da administração municipal estão sendo investigados.
O advogado do ex-prefeito, Antonio Carlos de Andrade Vianna, não retornou as ligações.

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