A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público vai esperar a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina concluir os trabalhos para analisar a possibilidade de aditamento da ação civil pública em que acusa a ex-secretária de Educação Karin Sabec de improbidade administrativa e pede ressarcimento de R$ 621 mil pela compra irregular de 13,5 mil livros da coleção ''Vivenciando a Cultura Afro-brasileira e Indígena''. Além de Karin, a empresa que vendeu os livros - a Editora Ética, de Itabuna, na Bahia - também é requerida na ação, proposta em outubro do ano passado.
Em depoimento à CEI, a ex-secretária acusou o ex-secretário de Planejamento Fábio Góes de ter rasurado documentos; o ex-secretário de Gestão Pública Marco Cito (hoje preso por suposta tentativa de suborno contra o vereador Amauri Cardoso), de procedimento irregular na compra; e o prefeito Barbosa Neto (PDT) de supostamente ter concordado com todas as irregularidades. A CEI também apurou que a prefeitura recusou um desconto R$ 110 mil na compra dos livros.
Com os fatos novos, a promotora Leila Voltarelli acredita que poderia ser o caso de uma segunda ação ou de aditamento do processo que já tramita na 1 Vara da Fazenda Pública. ''Precisamos esperar o relatório da comissão para saber quais os fatos novos, seus fundamentos e quais pessoas envolvem'', disse. ''Sem isto, seria prematuro fazer uma intervenção judicial.''
A promotora explicou que o fato apurado pelo Ministério Público - que resultou na ação - foi a compra sem licitação, com o argumento de que aqueles livros eram os únicos adequados para o município. Porém, posteriormente, a própria administração considerou os livros imprestáveis para o uso nas escolas. O material foi recolhido após solicitação da Promotoria das Garantias Constitucionais, já que pareceres de especialistas da Universidade Estadual de Londrina e de entidades ligadas ao movimento de igualdade racial, consideraram os livros racistas.

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