MP acusa ex-presidentes do Banco Central de improbidade
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Das agências 
Brasília - O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra quatro bancos e 16 pessoas físicas envolvidas no caso Banestado. Entre os réus estão os ex-presidentes do Banco Central (BC) Gustavo Loyola e Gustavo Franco. Estão também processados o ex-diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch e o ex-diretor da Carteira Internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira.
Os bancos relacionados na ação são Banestado, Benge, Araucária e Real. A acusação é de desvio de finalidade do ato administrativo do Banco Central que permite a remessa de divisas ao exterior por meio das contas CC-5. Esses bancos teriam, conforme a denúncia, cometido várias faltas e crimes, ao operacionalizarem o mercado de câmbio de taxas livres.
Os ex-dirigentes do BC são acusados ainda de omissão no controle e fiscalização das transferências internacionais. Pesa contra eles também a acusação de estímulo a atividades ilícitas como evasão de divisas, sonegação fiscal, crime contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.
Conforme a denúncia, eles teriam cometido essas irregularidades por meio de atos normativos e instruções sem o devido respaldo legal. Soma-se aos atos de ofício a fragilidade dos sistemas de controle, além da ausência de efetividade nas fiscalizações a cargo do Banco Central, alega a ação.
A ação foi ajuizada pelas procuradoras Valquíria Nunes e Raquel Branquinho Nascimento. Essas condutas, conforme afirmam, causaram prejuízo à União Federal. O Ministério Público quer obter na justiça a devolução do dinheiro auferido ilicitamente pelas instituições financeiras beneficiárias.
Gustavo Loyola disse ontem, em São Paulo, que é incompreensível que ele e outros dirigentes da instituição financeira tenham sido processados no caso Banestado. Loyola disse que o governo trabalha, gradualmente, para uma maior liberdade cambial e que não faz sentido que normas adotadas por dirigentes do BC, por terem sido usadas por terceiros para remessas suspeitas ao exterior, acarretem ações contras as ex-diretorias da instituição.
Ele declarou que o MPF deveria partir com a mesma agressividade sobre os que fizeram as transferências suspeitas para o exterior.


