São Paulo - O Ministério Público (MP) Estadual apresentou ontem denúncia à comarca de Itapecerica da Serra (33 km a sudoeste de São Paulo) contra o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser mandante do assassinato do prefeito de Santo André (ABC paulista) Celso Daniel (PT), morto em janeiro do ano passado.
Segundo o MP, Sombra fazia parte de um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André que recebia propina de empresas de transporte. Celso Daniel, ao descobrir a fraude, teria iniciado investigações para apurar as irregularidades. Sombra, de acordo ainda com os promotores do caso, queria ''eliminar o obstáculo que lhe rendia vultosas quantias'', e decidiu ''matar a vítima''.
''A morte da vítima foi idealizada e encomendada por Sérgio Gomes da Silva para assegurar a execução de outros crimes que ele e outras pessoas estavam praticando contra a administração pública de Santo André. Tais crimes eram combatidos pelo prefeito, que, por tal razão, a de erigir-se à condição de obstáculo, na ótica de Sérgio Gomes da Silva, deveria ser eliminado definitivamente'', relata parte da denúncia.
Celso Daniel foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002 quando voltava de um jantar em São Paulo. Ele estava acompanhado de Gomes da Silva. Dois dias depois, o corpo do prefeito foi encontrado em uma estrada em Juquitiba (a 78 km de SP), com sete tiros.
O inquérito da Polícia Civil - já encerrado - afirmava que o crime não teve motivação política. Atendendo a pedido de familiares, o MP reabriu o caso. Entre novos depoimentos, convocou Gomes da Silva para depor na condição de investigado, e não como testemunha, como fora ouvido anteriormente. Sete participantes do sequestro (seis mais o menor que confessou o crime) foram presos. As circunstâncias e locais do crime foram descobertas.

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