O Ministério Público (MP) ajuizou ação criminal contra cinco funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) pelo suposto cancelamento irregular de duas multas de trânsito. Eles são acusados de falsidade ideológica, crime com pena de um a cinco anos de prisão quando o documento adulterado é público. Durante as investigações, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandado de busca e apreensão na companhia.
São réus a coordenadora de fiscalização de trânsito, Maria de Socorro dos Anjos Silva, o coordenador de fiscalização de comunicação visual, Maurício Teixeira dos Anjos, o coordenador administrativo, Rogério Duque de Oliveira, e os agentes de trânsito Eduardo Brazão Pereira e Leandro da Silva Crepaldi. Segundo a denúncia, os três primeiros - em cargos hierarquicamente superiores - teriam pressionado os dois agentes que estavam em estágio probatório a cancelar os autos de infração que anteriormente haviam aplicado.
Os promotores Cláudio Esteves e Jorge Barreto relatam que Maurício Teixeira, após ter seu veículo Honda Civic multado por estacionamento irregular na Avenida Santos Dumont, em dezembro de 2010, solicitou ao agente autor da multa, Eduardo Brazão, que a cancelasse. Como a multa persistia, passados alguns dias, ele pediu a Maria do Socorro que interviesse. O agente acabou cancelando o documento.
Ainda segundo o MP, em janeiro de 2011, o veículo de Rogério Duque, um Renault Logan, conduzido por sua esposa, foi multado por excesso de velocidade. Duque teria adotado exatamente o mesmo procedimento de Maurício Teixeira, pedindo primeiro o cancelamento para o agente que o multou, Leandro Crepaldi, e, em seguida, para Maria do Socorro. De acordo com a denúncia, neste caso, Maria do Socorro ''aproveitando-se da condição de superior hierárquica, estabeleceu contato com Leandro Crepaldi, exibiu-lhe a via amarela da multa e, ainda que de maneira dissimulada, determinou a este que efetuasse o cancelamento do auto de infração''.
A reportagem não conseguiu contato com nenhum dos acusados. Em entrevistas anteriores, os dois agentes confirmaram ter cancelado as multas irregularmente porque foram pressionados para isso; já os três ocupantes de cargos comissionados na CMTU não falaram sobre o assunto. O assessor da companhia, Leandro Rosa, informou ontem que a diretoria da empresa não se manifestaria porque não conhecia o conteúdo da denúncia. Meses depois que o MP começou a investigar os cancelamentos irregulares, a CMTU instaurou uma comissão de sindicância, que ainda não concluiu os trabalhos.

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