MP acompanhará investigações de acidente
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná determinou ontem que as investigações a respeito do acidente que envolveu o deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) sejam acompanhadas pelo promotor de Justiça Rodrigo Chemim, que é especializado em direito criminal. A medida foi uma resposta à solicitação do advogado Elias Mattar Assad, que foi contratado pela família de Gilmar Rafael Souza Yared, 26 anos, morto no acidente, para acompanhar o trabalho da polícia.
''Ficamos preocupados com a notícia da transferência do deputado para São Paulo'', declarou Gilmar Yared, pai de Gilmar Rafael. Carli Filho foi transferido no domingo para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratar fraturas na face. Em boletim médico divulgado no início da noite de ontem o hospital informou que o parlamentar permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), está consciente e respira sem ajuda de aparelhos. Não há previsão de alta.
Yared esteve com a esposa, Cristiane, ontem na Delegacia de Delitos de Trânsito para depor sobre o caso. ''O que sabemos é que o deputado tinha um histórico de multas por transitar em alta velocidade'', informou. O delegado responsável pelo caso também ouviu familiares de Carlos Murilo de Almeira, 20 anos, que morreu no acidente.
Segundo Assad, além de acompanhar as investigações a família irá coletar informações sobre o caso. ''Temos informações de testemunhas e estamos coletando dados de câmeras de condomínios próximos ao local do acidente para comprovar que ele (Carli Filho) estava em alta velocidade'', declarou.
''Notamos que a investigação do acidente começou de forma diferente do que é padrão nesses casos. Mesmo ferido, o deputado deveria ter sido preso em flagrante, como é praxe no caso de acidentes com vítimas fatais, o que não aconteceu'', apontou Assad. Para o advogado, o esforço da família de Yared será de ''garantir que as instituições funcionem e que o deputado responda pelos seus atos''.
O delegado responsável pelo caso, Armando Braga, foi procurado pela reportagem, mas não quis comentar as declarações de Assad. ''Cada caso é um caso'', disse. Segundo Braga, a transferência de Carli Filho para São Paulo não afeta as investigações.
Em entrevista à reportagem, a mãe de Rafael Yared declarou que ''quer que a verdade seja dita''. ''É uma coisa absurda perder um filho assim e nem poder abrir o caixão para dar um beijo de despedida'', disse. ''Não podemos ser coniventes com a impunidade'', afirmou Cristiane, que disse estar recebendo a solidaridade de outras mães. ''É nessa luta que estamos encontrando força'', completou.
Além da solicitação feita ao MP, o advogado da família também pediu ao Tribunal de Justiça a designação de um desembargador para acompanhar o caso e comunicou a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da investigação. ''Essas são comunicações que o delegado teria que ter feito, mas não fez'', disse. Ontem, a Mesa Diretora da Assembleia concedeu licença médica a Carli Filho por 60 dias. Como o afastamento é inferior a 120 dias o suplente do parlamentar não será convocado.


