Curitiba - A Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público do Ministério Público (MP) do Paraná decidiu abrir um procedimento investigatório para apurar a denúncia levantada contra Ezequias Moreira Rodrigues, chefe de gabinete do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Uma notícia crime foi protocolada no MP pelo relações públicas Marcos Ravazzani, que pede instauração de uma ação contra Ezequias por enriquecimento ilícito. Entre outras supostas irregularidades, a denúncia aponta que Ezequias ficava com o salário da sua sogra, Verônica Durau, na Assembléia Legislativa. Verônica, por sua vez, seria funcionária ''fantasma'' da Casa.
Ainda pela denúncia, Verônica estaria lotada num gabinete que já não existe mais, o do ex-deputado estadual Beto Richa, hoje prefeito da capital. Ezequias trabalha com Beto Richa desde 1995. Na época, Richa era deputado estadual e Ezequias era seu chefe de gabinete na Assembléia. Em nota divulgada na quinta-feira passada, Richa ressalta que ''deixou de ser deputado estadual em dezembro de 2000'' e que, desde então, ''não tem mais nenhum vínculo com a Assembléia, razão pela qual não possui nenhum funcionário sob sua responsabilidade''.
Na última sexta-feira, Ezequias também divulgou nota, na qual nega ter cometido qualquer irregularidade. Ontem, eles não quiseram se manifestar sobre a decisão do MP. No final do dia, informações extra-oficiais apontavam para a possibilidade de Ezequias ser exonerado da Prefeitura, mas nada se confirmou até o fechamento da edição.
Outro fato que evidenciaria o enriquecimento ilícito, segundo a denúncia, é a utilização de um veículo locado pela Prefeitura e de uso pessoal da esposa de Ezequias, Sandra Regina. Ela possui um cargo em comissão na Fundação de Ação Social (FAS), ligada à Prefeitura.
A assessoria de imprensa do MP informou que o promotor de Justiça responsável pela investigação, Odoné Serrano Junior, já iniciou os trabalhos. Ele solicitou documentos e informações a órgãos públicos e pretende marcar entrevistas com os envolvidos no caso e com o relações públicas que fez a denúncia.
Paralelamente à investigação que agora corre no MP, a Assembléia também abriu sexta-feira uma sindicância, para apurar o caso. Ontem, o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), informou que a sindicância terá um prazo de 27 dias para se manifestar. ''Vamos apurar doa a quem doer. Não vamos admitir que o caso seja esquecido. Vou acompanhar pessoalmente o trabalho da sindicância e, se necessário for, entraremos com medidas judiciais.''

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