A Promotoria de Justiça em Joaquim Távora (53km ao sul de Jacarezinho) instaurou procedimento investigativo para apurar denúncia de fraude na compra de medicamentos e suprimentos hospitalares pela Prefeitura. A acusação contra o prefeito Wiliam Walter Ovçar (PSL) foi apresentada ao Ministério Público (MP) segunda-feira passada pelo ex-secretário de Saúde do município, Carlos Henrique Castanheira.
Na denúncia formulada ao MP, a Prefeitura teria adquirido as mercadorias em duas licitações feitas em março deste ano e canceladas em maio. Além das notas fiscais e de recibos com a lista de alguns itens, em dias de entrega à farmácia do Posto Municipal, Castanheira ainda apresentou anexadas aos autos listas de preços para os mesmos artigos, mas na comparação com outros fornecedores. Há remédios controlados, por exemplo, vendidos ao poder público municipal até 930% mais caros que o valor no atacado.
De acordo com o promotor Almir Carreiro Santos, na próxima segunda-feira o MP enviará ofício ao Executivo no qual solicitará cópias de toda a documentação referente às licitações questionadas. ''Vamos confrontar com o que temos na denúncia'', disse o promotor, que estuda solicitar documentação também às empresas Hidramed, de Umuarama, e Prodenfar, de Campo Mourão, de onde foram adquiridos via cartas-convite R$ 88.676,17 em suprimentos hospitalares (R$ 42.676,60) e medicamentos (R$ 45.999,57).
Além da Promotoria, a Câmara de Vereadores também investiga a denúncia. Na última quarta-feira, nove pessoas depuseram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) - entre elas, o ex-secretário de Saúde, o vice-prefeito, Gelson Nassar, que auxiliou Castanheira nas comparações de preços, ex-membros da comissão de licitação dissolvida mês passado pelo prefeito e funcionários da administração. Conforme o presidente da CPI, vereador Benedito Azarias (PSDB), a sessão que terminou perto da 1 da manhã de quinta-feira teve de contar com apoio policial, do lado de fora da Câmara, devido ao ''acirramento de ânimos'' e entre o prefeito e o vice, após as acusações se tornarem públicas.
Na reunião de segunda-feira, a CPI vai analisar o teor dos depoimentos para também definir se chama representantes das duas empresas que venceram as licitações. ''Se for necessário, porém, antes disso podemos fazer uma acareação entre aqueles que já prestaram depoimento'', concluiu Azarias, que não descarta solicitar a presença do prefeito à comissão.
Ovçar nega a acusação de fraude e afirma que vai aguardar os resultados da sindicância instaurada pela Prefeitura há mais de 20 dias.

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