O Ministério Público (MP) de Londrina inicia hoje uma investigação específica para apurar eventual irregularidade na venda de 45% das ações da Sercomtel S.A. à Copel. O negócio, realizado em maio de 1998, rendeu à Prefeitura de Londrina R$ 186 milhões e parte do dinheiro acabou desviado para pagar licitações fraudulentas no caso conhecido como escândalo AMA-Comurb.
Promotoria envia hoje ofício à empresa, à Copel e ao Banco FonteCindam pedindo documentos relativos à transação dos 45% das ações
A promotora Solange Vicentin informou que ainda hoje estará enviando ofício às três empresas envolvidas – Sercomtel, Copel e Banco FonteCindan – pedindo toda a documentação relativa à operação. Após a análise desse material, o MP irá avaliar se prossegue com as investigações, convocando envolvidos para prestar depoimento.
A investigação (procedimento administrativo número 16/00) foi motivada por um pedido de providências feito em junho de 99 por Francisco Afonso Jawsnicker ao MP de Curitiba. No requerimento, ele disse estranhar o fato de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada em maio de 99 justamente para investigar a venda das ações, ter sido criada e extinta na Assembléia Legislativa em menos de 48 horas. Na ocasião, 21 deputados da base governista retiraram a assinatura do requerimento.
Uma das dúvidas que deverão ser respondidas pelo trabalho do MP é o motivo pelo qual um empréstimo no valor de R$ 22 milhões – caucionado por ações da telefônica – contraído no FonteCindan ainda na administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, foi pago diretamente ao banco pela Copel e com quase o dobro do valor. O fato de a Prefeitura de Londrina ter feito a venda direta das ações, e não por meio da Bolsa de Valores, também é objeto de questionamentos desde que o negócio foi fechado.
Solange Vicentin explicou que o pedido de providências foi encaminhado no começo do ano para Londrina e a investigação só não começou antes por falta de tempo – ela e os promotores Cláudio Esteves e Bruno Galatti investigam desvio de dinheiro público na Prefeitura de Londrina, que resultou no afastamento do prefeito Antonio Belinati (PFL) na semana passada.
Ainda segundo Solange Vicentin, o MP antecipou a investigação na Sercomtel atendendo a pedido do bloco de deputados estaduais de oposição que esteve em Londrina há duas semanas, para conhecer detalhes das denúncias de corrupção na prefeitura.
Além de apurar supostas irregularidades com a venda das ações, os promotores abriram outra investigação para saber qual o destino dado ao dinheiro arrecadado. Essa investigação começou depois de um pedido de providências feito pelo Sindicato dos Servidores Públicos de Londrina (Sindserv), que estranhou a presença do nome de centenas de servidores na lista de pagamentos do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), órgão criado justamente para fiscalizar a aplicação dos recursos obtidos com a venda das ações.
Parte dos R$ 16 milhões comprovadamente desviados dos cofres públicos tem origem na venda das ações; o MP agora quer saber o que aconteceu com os cerca de R$ 100 milhões restantes.

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