Curitiba - O promotor de Defesa do Patrimônio Público de Ponta Grossa, Fuad Chafic Abi Faraj, abriu ontem inquérito para apurar as responsabilidades pela invasão das praças de pedágio, na semana passada, por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele disse que vai encaminhar ofício ao procurador geral da República para verificar a conduta do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), durante o episódio.
Faraj também quer impedir que ocorram outras invasões que danifiquem o patrimônio público em Ponta Grossa e quer obter uma determinação judicial para que a polícia seja obrigada a agir quando tiver informação sobre manifestações dessa natureza.
A invasão das praças durou dois dias e provocou prejuízo de R$ 836,6 mil às concessionárias, de acordo com levantamento feito pelas próprias empresas. Para o promotor, as praças de pedágio integram o complexo rodoviário do Estado e estão a serviço do público, e portanto são enquadradas como patrimônio público. ''Houve danos consideráveis. Tudo isso com omissão da polícia. A Polícia Militar tinha conhecimento prévio da ação e não fez nada'', afirmou o promotor.
Faraj também pretende investigar a participação do governo estadual, de servidores estaduais e de integrantes do diretório do PMDB em Curitiba na organização da invasão. ''Quem levou a manifestação a cabo foi o pessoal do PMDB municipal de Curitiba'', disse. Segundo ele, o presidente do diretório, Doático Santos, lotado atualmente na Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), teria usado estrutura do poder público para promover a invasão.
O governo estadual nega qualquer participação na invasão às praças de pedágio. Segundo a assessoria de imprensa do governo, o governo não concordou com a ocupação, tanto que propôs a intervenção nas praças de pedágio. Essa decisão não chegou a se concretizar, já que o MST deixou os locais invadidos. O governo estadual também desconhece a participação de servidores públicos no protesto. Um dos coordenadores estaduais do MST, Roberto Baggio, disse que precisa tomar conhecimento da investigação antes de se pronunciar. Doático Santos confirmou que o diretório do PMDB é contra a cobrança de pedágio, mas disse que não participou diretamente da organização da invasão.

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