O vereador Moysés Leônidas (PDT) ameaça ‘‘cair fora’’ da coligação do prefeito eleito Antonio Belinati (PDT) caso não consiga reverter a indicação de Jorge Scaff (PDT) para disputar a presidência da Câmara. ‘‘Meu jeito de fazer política é assim: só acendo vela para Deus, não acendo para diabo. Minha amizade com ele (Belinati) continua, mas se não tenho espaço na coligação, vou cair fora.’’ O racha na coligação de Belinati (PDT/PTB/PPB/PST) que reúne nove vereadores - oito da coligação mais o vereador Waldemir de Araújo (PMN), que declarou apoio à bancada de sustentação de Belinati - parece ter estimulado ainda mais Leônidas a disputar a presidência.
Ele diz estar articulando o que chamou de ‘‘terceira via’’ com os descontentes dos ‘‘dois lados’’. Ele se refere ao grupo de Belinati e eventuais dissidentes do grupo de apoio a Luiz Carlos Hauly (PSDB). ‘‘Se não tenho espaço na minha coligação, vou me compor com eles (os dissidentes) para conquistá-lo’’.
No final da semana passada, Belinati declarou que apoiava a candidatura Scaff porque respeitou a votação da maioria que indicou o nome do vereador. Ele também disse acreditar que Leônidas acataria a decisão da coligação ‘‘quando a poeira baixasse’’. Mas o vereador argumenta que foi líder do PDT há quatro anos e que o ‘‘Jorge (Scaff) chegou ontem e aproveitou-se da canoa’’.
Leônidas também reclama do PDT estar sendo preterido na indicação de nomes para as secretarias do futuro prefeito. ‘‘Ainda não vi nenhum secretário oriundo do PDT. O próprio presidente do meu partido (Agajan Der Bedrossian) não consegue ser atendido pelo Belinati’’, reclama. Bedrossian é ex-secretário da Saúde de Belinati e atual chefe da 17ª Regional de Saúde de Londrina.
Moysés Leônidas prefere não usar a palavra ‘‘rompimento’’ e sim ‘‘racha’’ para um possível desligamento da coligação. ‘‘Essa atitude seria política. Já a amizade com Belinati espero nunca perder’’, ameniza. Ele disse acreditar ter sido ‘‘peça fundamental’’ na eleição do pedetista. ‘‘No dia 15 de novembro eu disse para o Belinati que consegui cumprir meus dois grandes compromissos: a minha reeleição e a eleição dele. Não fiz isso por interesse, mas por amizade.’’
O prefeito Antonio Belinati reafirmou ontem que não tem como mudar de posição. ‘‘Não é com ameaça de racha que eu vou interferir para mudar o resultado, que indicou o Scaff. Esse é um problema interno da bancada. Se ela deliberar alguma alteração, eu acato’’, suaviza.
Belinati disse não ter dúvidas de que seu grupo irá fazer a presidência da Câmara e contabilizou 12 votos (três da chamada ‘‘oposição’’). ‘‘Se o Moysés romper serão 11. Ainda assim o bloco do prefeito terá tranquilamente a maioria. Isso é ponto pacífico’’. Ele disse que o bloco é fundamental para formar a ‘‘base de sustentação’’ do prefeito na Câmara. ‘‘Quem estiver fora desse bloco estará contra a figura do prefeito’’.

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