Moysés ameaça romper com Belinati
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Patrícia Zanin Da Redação 
O vereador Moysés Leônidas (PDT) ameaça cair fora da coligação do prefeito eleito Antonio Belinati (PDT) caso não consiga reverter a indicação de Jorge Scaff (PDT) para disputar a presidência da Câmara. Meu jeito de fazer política é assim: só acendo vela para Deus, não acendo para diabo. Minha amizade com ele (Belinati) continua, mas se não tenho espaço na coligação, vou cair fora. O racha na coligação de Belinati (PDT/PTB/PPB/PST) que reúne nove vereadores - oito da coligação mais o vereador Waldemir de Araújo (PMN), que declarou apoio à bancada de sustentação de Belinati - parece ter estimulado ainda mais Leônidas a disputar a presidência.
Ele diz estar articulando o que chamou de terceira via com os descontentes dos dois lados. Ele se refere ao grupo de Belinati e eventuais dissidentes do grupo de apoio a Luiz Carlos Hauly (PSDB). Se não tenho espaço na minha coligação, vou me compor com eles (os dissidentes) para conquistá-lo.
No final da semana passada, Belinati declarou que apoiava a candidatura Scaff porque respeitou a votação da maioria que indicou o nome do vereador. Ele também disse acreditar que Leônidas acataria a decisão da coligação quando a poeira baixasse. Mas o vereador argumenta que foi líder do PDT há quatro anos e que o Jorge (Scaff) chegou ontem e aproveitou-se da canoa.
Leônidas também reclama do PDT estar sendo preterido na indicação de nomes para as secretarias do futuro prefeito. Ainda não vi nenhum secretário oriundo do PDT. O próprio presidente do meu partido (Agajan Der Bedrossian) não consegue ser atendido pelo Belinati, reclama. Bedrossian é ex-secretário da Saúde de Belinati e atual chefe da 17ª Regional de Saúde de Londrina.
Moysés Leônidas prefere não usar a palavra rompimento e sim racha para um possível desligamento da coligação. Essa atitude seria política. Já a amizade com Belinati espero nunca perder, ameniza. Ele disse acreditar ter sido peça fundamental na eleição do pedetista. No dia 15 de novembro eu disse para o Belinati que consegui cumprir meus dois grandes compromissos: a minha reeleição e a eleição dele. Não fiz isso por interesse, mas por amizade.
O prefeito Antonio Belinati reafirmou ontem que não tem como mudar de posição. Não é com ameaça de racha que eu vou interferir para mudar o resultado, que indicou o Scaff. Esse é um problema interno da bancada. Se ela deliberar alguma alteração, eu acato, suaviza.
Belinati disse não ter dúvidas de que seu grupo irá fazer a presidência da Câmara e contabilizou 12 votos (três da chamada oposição). Se o Moysés romper serão 11. Ainda assim o bloco do prefeito terá tranquilamente a maioria. Isso é ponto pacífico. Ele disse que o bloco é fundamental para formar a base de sustentação do prefeito na Câmara. Quem estiver fora desse bloco estará contra a figura do prefeito.


