Movimentos pedem prisão dos corruptos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de abril de 2001
Cristiane Oya e Marcos Zanatta De Londrina e Maringá 
Setores da sociedade organizada de Londrina e Maringá estão promovendo campanhas pedindo a punição de todos os envolvidos nos escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público das duas principais prefeituras do interior do Estado.
Integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina distribuíram mil adesivos (com o slogan Cana neles) da campanha no Calçadão (área central). Ficamos surpresos com a aceitação da população, que parava para pedir adesivos e aderir à campanha. Hoje há um clamor da sociedade que todos os envolvidos nesse escândalo sejam presos, relatou o presidente do Conselho Maior da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi.
A postura do movimento é que todos os ladrões sejam penalizados com prisão e processo de devolução do dinheiro público. Não só as nove pessoas que já têm o pedido de prisão, mas as outras dezenas que fizeram parte dessa quadrilha que assaltou os cofres municipais, afirmou Orsi. Ele se refere à queixa-crime feita pelo Ministério Público Estadual (MPE), com pedidos de prisão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), ex-secretários municipais e dois empresários de Curitiba. Segundo o Tribunal de Contas, as irregularidades entre 1997 e 1999 (na gestão de Belinati) chegam a R$ 113 milhões.
Amanhã, os integrantes do movimento voltam a fazer uma manifestação no Calçadão de Londrina. Eles vão encenar a vinda do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto (preso por envolvimento no desvios de recursos do Fórum do TRT de São Paulo), que chega em Londrina para prestar solidariedade aos colegas corruptos.
Em Maringá, o Movimento em Defesa do Patrimônio Público lança hoje a cruzada da cidadania, marcando os 120 dias da prisão do ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, principal acusado do desvio de dinheiro da prefeitura. O lançamento está programado para o início da tarde no cruzamento da Avenida Getúlio Vargas e a Rua Santos Dumont, na área central. Queremos despertar a comunidade para uma campanha permanente por justiça, explicou Aldi Mertz, um dos coordenadores do movimento.
O movimento pretende manter uma barraca no canteiro central do cruzamento, sempre divulgando os trabalhos realizados pela cruzada. Já iniciamos a distribuição de adesivos, pedindo a punição dos envolvidos em desvios e a devolução do dinheiro, lembrou. Nos próximos dias, serão fixados pelo menos 15 painéis com o mesmo objetivo.
O advogado Wagner Pacheco, um dos que atuam na defesa de Paolicchi, disse ontem à Folha que pode mudar a estratégia e nem apelar da decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), que, no final de março, negou habeas-corpus ao ex-secretário. Paolicchi está preso desde o dia 7 de dezembro do ano passado. Até ontem o TRF ainda não havia publicado a decisão sobre o habeas-corpus, o que permitiria a defesa montar a contestação.
Segundo Pacheco, ainda não é possível falar qual próximo passo da defesa. Vamos aguardar as perícias que foram pedidas na Justiça Federal e como o Ministério Público vai se portar diante da segunda denúncia. O processo, que está nas mãos do Ministério Público Federal é referente à denúncia do desvio de R$ 549 mil, localizados nas contas do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). O rombo em Maringá deve atingir R$ 100 milhões.


