Movimentos pedem demissão de ministros
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sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Eduardo Scolese<br> Folhapress 
Brasília - Movimentos sociais liderados pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) pediram hoje a demissão da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em caso contrário, ameaçam um 2005 repleto de ações no campo.
''Infelizmente a equipe econômica do governo Lula tem tomado decisões que têm sido um desastre na área social. Temos cobrado o presidente Lula para que mude a equipe econômica. Já pedimos que os ministros (Antonio) Palocci (Fazenda) e (Henrique) Meireles (presidente do Banco Central) se demitam do cargo, caso contrário o ano que vem será marcado por grandes protestos na área social'', afirmou João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST.
Dom Tomás Balduíno, presidente da CPT (Comissão Pastoral da Terra), bateu na mesma tecla: ''Há um claro favorecimento das exportações, sem a preocupação com os carentes que precisam da reforma agrária. Vemos um investimento a serviço do capital'', disse.
Ontem, reunidos na sede da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), entidades, sindicatos e movimentos ligados à questão da terra anunciaram o que estão chamando de o maior encontro de trabalhadores rurais já ocorrido no país. Será na semana que vem, em Brasília.
A expectativa é reunir 10 mil pessoas para cobrar uma resposta sobre o que o governo pensa da política econômica e da reforma agrária. Trata-se da Conferência Nacional Terra e Água Reforma Agrária, Democracia e Desenvolvimento Sustentável. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns ministros, como José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), devem comparecer ao evento.
''Na conferência vamos tentar entender e cobrar explicações do governo sobre suas políticas econômicas e de reforma agrária. Ainda não conseguimos entender, por isso queremos uma explicação. Os camponeses que comparecerem ao evento serão preparados para possíveis lutas no ano que vem'', disse Rodrigues. Neste ano, a promessa do governo é assentar 115 mil famílias, mas até agora apenas 50 mil foram beneficiadas.
Segundo ele, 2005 será um ano ''colorido''. ''Será um ano marcado por grandes lutas. Podemos dizer que 2005 será um ano colorido, e não vermelho, pois as outras organizações têm bandeiras branca, azul e verde.''


