Curitiba - Representantes de movimentos de mulheres ouvidas pela reportagem elogiaram o fato de um tema como esse voltar à pauta da Câmara, entretanto, fizeram algumas observações. Para a bacharel em Direito Alessandra Calisto, integrante do Coletivo Alzira, a iniciativa é positiva. "Se eu fosse homem, teria vergonha de ser preciso criar uma lei para punir. É, no mínimo, ultrajante para pessoas do sexo masculino. Mas se é necessário... Qualquer tipo de assédio tem de ser repudiado. Se a mulher não gostou do que aconteceu, se a conversa não acontece e se esse é um meio educativo que faça sentido, vale a pena fazer o teste", avaliou. "É muito diferente você receber um elogio de receber um assédio. Para nós, mulheres, um ‘gostosa’ na rua ou um assobio não vai nos fazer cair de amores por quem fez isso. É meio óbvio, mas tem gente que tem um pouco de dificuldade de se tocar", acrescentou.
Pesquisadora da Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero (CEVIGE) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná e membro do Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta, Vanessa Prateano disse ser preciso focar também na prevenção e na educação. "O tema em si não é simples. Ele divide bastante o movimento feminista, uma vez que pode gerar a situação de se apostar todas as fichas na lei (…) É preciso também criar mecanismos para que as mulheres possam denunciar o ato, para que se sintam seguras para isso, que se criem protocolos de atendimento e acompanhamento desse atendimento, que se especifique o que configura um assédio de rua e quem fará a fiscalização, entre inúmeras outras medidas", sugeriu.
Jussara Cardoso, da Marcha das Vadias, tem opinião semelhante. "Do jeito que está, o projeto não deve ser aprovado, porque prevê punição para exibicionismo, tocar pessoas, beijar à força... E isso já tem na lei. Acredito que com as discussões na comissão possa se chegar a uma solução – fazer um texto de educação mesmo, e não de criminalização." De qualquer forma, ela ponderou que a matéria deverá mudar paradigmas. "Enquanto não tem um projeto de conscientização nas escolas, o que eu posso fazer para colocar esse debate no Legislativo? É uma oportunidade de se voltar a discutir. Ela [vereadora] teve muita coragem de propor, e fez uma justificativa muito bem embasada." (M.F.R.)

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