Temas aparentemente distantes do dia-a-dia do londrinense, a possibilidade de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a tentativa popular de anulação do leilão da companhia de mineração Vale do Rio Doce foram temas ontem de duas manifestações no Calçadão.
A cassação - que deverá ser votada esta semana, em Brasília - rendeu a simulação de um painel eletrônico que contabilizava 'votos' pró e contra a medida. A organização foi feita pelo movimento ''Mãos Limpas pelo Brasil'', lançado em julho passado com remanescentes do ''Pés Vermelhos! Mãos Limpas!'', que, em 2000, culminou com a cassação do prefeito Antonio Belinati (PP).
Segundo um dos organizadores, o empresário Valter Orsi, a iniciativa é uma forma de ''sensibilizar a população a dizer aos políticos que ela está antenada à forma como estão agindo''. ''É um despertar do cidadão àquele que é o quarto homem mais importante da política brasileira'', explicou Orsi, ao ser questionado sobre o fato de algumas pessoas que passavam pelo local, ontem, não saberem os motivos do pedido de cassação - Renan é acusado de usar dinheiro de empreiteira para pagar despesas pessoais. ''Se ele fez coisa errada, tem que pagar. Mas só sei por cima quem é esse sujeito'', comentou a dona de casa Zélia Santos, 58.
Já o movimento contra o leilão da Vale do Rio Doce - ocorrido há pelo menos 10 anos, na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - tentava, ontem, arrecadar assinaturas para ser enviadas a Curitiba, e, na sequência, a Brasília.
A organização ficou a cargo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), junto a outras entidades. ''A meta é obter aqui e na região 20 mil assinaturas, seja pelas 100 urnas, seja pelo trabalho de base nas igrejas e nas escolas, por exemplo'', disse a coordenadora do CPT em Londrina, Claudinéia Magalhães.
Indagada sobre a validade da anulação do leilão, e dez anos depois, ao cidadão comum, a coordenadora deixou a resposta para Maurício Barros, do Movimento Evangélico Progressista (MEP), ex-vereador pelo PT de Londrina e membro da atual administração petista, na Autarquia de Saúde. ''Já há 107 ações na Justiça contra esse leilão, e essa luta popular por uma empresa que gera lucro, na minha opinião, é mais importante (que ações do próprio governo federal)'', avaliou Barros.

mockup