Movimentos de esquerda protestam contra Temer em Londrina
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sábado, 11 de junho de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Ao som do Maracatu e com gritos de "fora Temer", cerca de 300 pessoas de diferentes movimentos sociais de Londrina se reuniram ontem no centro da cidade para protestar contra o governo interino do presidente Michel Temer (PMDB). O ato está em sintonia com outros realizados desde sexta-feira em várias regiões do país, com destaque para as capitais, onde os grupos foram mais numerosos.
Os participantes londrinenses marcharam pelo Calçadão até a concentração na Concha Acústica, onde houve discursos e apresentações artísticas até a dispersão no começo da tarde. Não foi necessário o acompanhamento da Polícia Militar.
Reclamavam principalmente do risco de retrocesso nos direitos sociais e trabalhistas, sob o "programa neoliberal, privatista e entreguista de Temer". Diferente da última manifestação, realizada antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) pelo Senado, desta vez a operação Lava Jato, que apura desvios de dinheiro público da Petrobras, foi poupada. Também sobraram críticas para o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e para o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).
De acordo com o professor da rede estadual de educação, Marcos Rogério Gomes, "a Lava Jato é muito importante para o Brasil, tornou-se uma instituição nacional, mas é muito parcial". Gomes, militante de esquerda, afirmou que "partidos como PSDB e DEM também têm problemas, mas a repercussão é muito menor em relação ao PT". "O PT, em nome da governabilidade acabou se envolvendo com o que já existia, esse talvez tenha sido o grande erro", disse ele.
A médica Débora Anhaia de Campos disse não se preocupar com a pequena participação no ato, ontem. "Nesse período do governo ilegítimo, os movimentos de esquerda fizeram uma análise de conjuntura, estão mobilizados. Pode não ser um ato muito grande aqui, mas as pessoas não esqueceram que houve um golpe." Integrantes do grupo musical Semente de Angola, as artistas de rua Thais Hamer e Luiza Braga estavam no movimento para defender a cultura. "Já deu para perceber total desvalorização e falta de vontade desse governo junto a cultura popular", disse Luiza.
Estavam representados no protesto o Coletivo Mobiliza Londrina, a Frente Brasil Popular, Frente Povo sem Medo, Frente Antifacista, Coletivo UEL Contra o Golpe, Coletivo Feminista e Cultura Londrina contra o Retrocesso.


