Movimentos anunciam luta contra 'crimes do agronegócio'
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quinta-feira, 21 de setembro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Integrantes do movimento Via Campesina, da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo e da Central Única dos Trabalhadores lançaram formalmente, ontem de manhã em Curitiba, a Campanha de Combate aos Crimes do Agronegócio e da Bancada Ruralista. O acampamento de cerca de 300 pessoas da Via Campesina a 3 km da propriedade do deputado federal Abelardo Lupion (PFL), em Santo Antonio da Platina (Norte Pioneiro), é uma estratégia para a largada da campanha.
Representando as famílias acampadas no local, Diogo Moreira garantiu que o movimento não tem intenção de ocupar a Fazenda Santa Rita, de propriedade do deputado. Ele também afirmou que a Via Campesina não tem planos de realizar outros acampamentos ou ocupações em áreas pertencentes a políticos envolvidos em denúncias de corrupção. Já o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), segundo entrevista publicada ontem na Folha, planeja ocupar propriedades de políticos envolvidos com desvio de verba pública, a exemplo da ocupação da Fazenda 3J, do deputado federal José Janene (PP).
''Se quiséssemos, já teríamos ocupado a fazenda (de Lupion), mas preferimos ficar na frente. Vamos ficar lá por tempo indeterminado. Queremos atingir o máximo de pessoas com o debate sobre as denúncias contra o deputado'', afirmou Moreira. Com a campanha, o movimento quer levar ao conhecimento da sociedade o teor de duas representações contra Lupion, uma na Câmara dos Deputados, outra na Procuradoria Geral da República. O movimento também cobra o andamento de uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF), para que fossem apuradas supostas irregularidades nas contas da campanha de 1998.
Segundo Rogério Nunes, do Comitê da Via Campesina, as representações baseiam-se em reportagem publicada em maio no jornal Correio Brasiliense, a qual afirma que duas transnacionais teriam sido beneficiadas por uma emenda apresentada por Lupion, liberando o herbicida glifosato. As representações também denunciam que o deputado teria comprado a fazenda Santa Rita de uma das transnacionais por um terço do valor de mercado.
''É estranho que a fazenda seja comprada por um terço do preço de mercado'', diz Nunes, lembrando que há ''muitos indícios'' envolvendo o deputado às transnacionais. As duas empresas, segundo ele, também teriam contribuído posteriormente com R$ 50 mil para o caixa de campanha de Lupion.
Na entrevista à imprensa, ontem, o movimento entregou cópia de todas as representações e denúncias à imprensa.


