Movimento tenta impedir repasse de verba
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sábado, 13 de dezembro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O Movimento Comunidade Alerta, de Cambé, protocolou na última quinta-feira, no Ministério Público (MP), um pedido de providências contra o projeto de autoria do Executivo que prevê o repasse de R$ 300 mil à Associação dos Funcionários Municipais de Cambé (AFMC). O projeto deverá ser apreciado pela Câmara na sessão desta segunda-feira.
Segundo o dentista e membro do movimento Walter Dalto, o objetivo do pedido de providências é impedir o repasse de recursos à AFMC. ''Entendemos que a associação não deve receber o dinheiro, tanto que o MP denunciou o caso anterior'', afirmou Dalto, se referindo à ação penal ajuizada no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) em agosto.
A ação, que ainda deverá ser recebida pelos desembargadores, denuncia o prefeito José do Carmo Garcia (PTB) e o presidente da associação Carlos Alberto Serpeloni, pelo desvio de R$ 743,8 mil dos cofres públicos municipais entre 2001 e 2002. ''Foi apurado ainda que os recursos destinados para saúde foram aplicados no pagamento de empréstimos efetivados pela entidade em meados do ano de 93 junto ao Banco Banestado, portanto em discordância ao estabelecido na Lei de Diretrizes'', relatou a ação.
''Levamos isso para a promotoria para ver se conseguimos sustar este projeto'', disse o advogado Carlos Veiga, presidente da Associação dos Advogados de Cambé e integrante do movimento.
Segundo o prefeito, se houver a retirada do projeto a população será prejudicada com a paralisação da prestação de serviços de saúde prestados pela AFMC. ''A associação tem uma clínica que presta serviços de fisioterapia, hidroterapia e serviços de ações de saúde à comunidade. Com estes recursos para 2004, a associação vai desenvolver este trabalho gratuitamente à população. Uma suspensão implica na paralisação destes serviços'', argumentou Garcia. ''Preciso prestar estes serviços. Se tem uma entidade que presta a um custo economicamente vantajoso para o município, não há por que não prestar.''
De acordo com Garcia, o pedido de providências do movimento, é uma atitude política. ''O que se discute no MP e na Justiça é um convênio de 2002. Isto (pedido) é uma continuidade de uma ação eminentemente política que vai persistir até as eleições do ano que vem'', considerou. A Folha tentou entrar em contato com o presidente da associação e com a promotora de Defesa do Patrimônio Público, Adriana Lino, mas eles não foram localizados.


