Marcelo Almeida/Folha de LondrinaSaídaGrupo suprapartidário discute, na Assembléia Legislativa, alternativas para evitar privatizaçãoO governador Jaime Lerner (PFL) desembarca hoje no Paraná com um desafio já na chegada: neutralizar o movimento que tenta frear a privatização do Banestado, já acertada com o Banco Central. Associação dos Funcionários, Federação dos Bancários, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e uma Frente Suprapartidária reuniram-se ontem, em Curitiba, e decidiram lançar nos próximos dias campanha de mídia para sensibilizar a opinião pública para a defesa do saneamento financeiro do Banco e de sua manutenção sob o controle estadual.
A idéia é sensibilizar a população sobre as consequências da privatização. A presidente da Federação dos Bancários, Marisa Stédile, informou ontem que, dos 399 municípios do Paraná, 113 possuem apenas agência do Banestado na cidade. ‘‘Uma privatização importa em demissões e fechamento de agências’’, disse. ‘‘As pessoas ainda não se flagraram da crise que deve se instaurar caso a privatização passe com tranquilidade.’’ O grupo corre contra o tempo e contra o aparato técnico já montado pelo governo, que tem um ano para colocar em prática a privatização.
Paralelamente à campanha publicitária, o movimento estuda a possibilidade de ajuizar ação contra o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e o presidente do banco, Manoel Garcia Cid. ‘‘Eles não estão se empenhando em proteger o patrimônio do Banestado’’, acusou ontem o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Pedro Eugênio Leite. Ele promete para depois da Páscoa uma análise jurídica mais delineada. A ação ajuizada pelos acionistas minoritários, pela Associação dos Funcionários e pela Associação dos Aposentados, em defesa do patrimônio do banco e dos direitos das entidades, causou boa repercussão no grupo.
Na Assembléia, a oposição já está preparada para dificultar a tramitação da lei, necessária para o governo privatizar. Responsável pela comissão de reforma constitucional, o deputado Caíto Quintana (PMDB) informa que serão necessários 28 votos favoráveis para a aprovação da matéria. Ele invoca o artigo 149 da Constituição, que diz que a regulamentação do sistema financeiro estadual se dará por lei complementar. ‘‘A base governista tem maioria, mas um quórum mais consistente não se consegue de uma hora para outra’’, avalia o deputado, classificando a medida como ‘‘protelatória’’.
Ganhando tempo, o movimento poderá interiorizar as críticas ao governo Lerner e ampliar bases de apoio em outras cidades. Atendendo sugestões do presidente da Associação dos Funcionários do Banespa, Eduardo Rondino; do representante do Fórum Estadual contra a Privatização em Santa Catarina; João Batista - que relataram ontem experiências do Besc e Banespa - o movimento paranaense costura uma rede de apoios com prefeitos e vereadores de todo o Estado. Para o dia da análise da lei na Assembléia, as lideranças bancárias preparam ato público, fechando agências em todo o Paraná.
A representante dos funcionários no Conselho do Banestado, Zinara de Andrade, disse ontem que ‘‘o processo de privatização corre mais rápido do que o governo do Estado deixa transparecer’’. Ela afirmou ter informações de que houve suspensão na divulgação do balanço do banco, prevista para acontecer anualmente até o dia 31 de março. ‘‘Os acionistas têm até o final de abril para aprovar estas contas’’, assinala a dirigente.

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