Movimento rejeita defesa de Assad
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quinta-feira, 18 de maio de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O presidente da Cohab de Londrina, Assad Jannani, ficou quase três horas, ontem à tarde, tentando convencer representantes de entidades e empresários da construção civil sobre a viabilidade dos projetos Poupalar e Renascer, que prometem entregar casas populares à pessoa que investir apenas 10% da renda durante 40 meses. Depois de muita discussão e até explicações em quadro-negro, com números e projeções, não houve entendimento. A saída foi marcar um seminário para que técnicos da área financeira possam avaliar os programas.
O encontro ocorreu na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon) e foi provocado por um pedido de investigação feito por 11 entidades que compõem o Movimento pela Moralização da Administração Pública. A denúncia foi encaminhada ao promotor de Defesa do Consumidor, Hélio Cardoso. Estiveram no local o próprio promotor e até secretários municipais, como Sidney de Olveira, de Governo; e José Righi de Oliveira, de Obras.
A principal dúvida é saber de onde vem o aporte de recursos para o programa. Segundo as entidades, em 40 meses, recebendo 10% da renda do poupador, a Cohab conseguiria obter, no máximo, 10% do valor do imóvel não podendo assim atender todos os quase 26 mil inscritos no programa.
No encontro, Assad voltou a assegurar que o projeto é viável. Ele repetiu que somente com a poupança é possível arrecadar 40% do total do investimento, e não os 10% alegados pelas entidades. Outros 20% viriam de recursos da própria Cohab e, os 40% restantes, junto ao mercado financeiro, por meio de recebíveis (antecipação de renda).
Quem pagar, recebe os imóveis, assegurou. Ele acrescentou que, mesmo que haja inadimplência, é possível sustentar o projeto com os recursos do mercado. O Sinduscon é um órgão de classe e o nosso projeto interferiu no equilíbrio do mercado, acusou.
Clóvis Coelho, presidente do Sinduscon, disse ontem que as explicações de Assad não foram suficientes para tirar as dúvidas das entidades. Porque são questões técnicas. Ainda não ficou claro de onde sairão os recursos complementares, repetiu.
O promotor também informou que necessitará de um auxílio técnico para formular uma opinião. Como essa questão diz respeito a números, no momento não podemos chegar a uma conclusão. Ele orientou os poupadores que, por enquanto, continuem pagando os valores mensais. Se nós apurarmos algum dano, eles serão avisados.
No final do encontro, Assad distribuiu cópias de duas declarações, datadas de ontem. Uma permite a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico; e outra cede os benefícios econômicos das marcas Projeto Renascer, Poupalar e Localar que ele tem registradas em seu nome para um Fundo de Suplementação de Renda (que ainda será criado).
O deputado federal José Janene (PPB) saiu em defesa do irmão Assad ontem, após uma coletiva na Câmara de Londrina. As críticas são feitas por empreiteiras acusadas de fazer conjuntos superfaturados na região. Meu irmão é honesto.


