Integrantes do Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá lavaram ontem a calçada em frente à Câmara de Vereadores antes do início da sessão, em protesto pela posição do Legislativo na aprovação de projetos que estariam causando impacto na economia do município e pela rejeição à uma auditoria interna.
Os integrantes do movimento foram classificados como ‘‘um monte de oportunistas’’ pelo prefeito em exercício de Maringá, João ‘‘Jonh’’ Alves Correa (PMDB). Jonh, que deixou a presidência do Legislativo para assumir a prefeitura no lugar do prefeito Jairo Gianoto (sem partido), afastado judicialmente do cargo, disse ainda que ‘‘eles (os integrantes do movimento) deveriam lavar a casa deles’’.
A crítica foi considerada pelo advogado Alberto Abrão Wagner da Rocha, um dos coordenadores do movimento, como um desrespeito de Jonh à mobilização social. ‘‘O Jonh está demonstrando que não compreende o que significa ser vereador e está distante do princípio constitucional que assegura o movimento social como força legítima de educação política’’, explicou.
Além de reclamar da falta de auditoria nas contas da Câmara para verificar desvios de dinheiro, a exemplo das investigações que ocorrem na prefeitura, o movimento está chamando a atenção para projetos que estão sendo aprovados a ‘‘toque de caixa’’ pelo Legislativo. Um deles dispensa as faculdades particulares de pagarem o Imposto Sobre Serviços (ISS). Segundo Rocha, a lei representa uma redução de R$ 600 mil ao município.
‘‘Os vereadores devem ter em mente que o governo termina, mas a administração continua e não pode ser penalizada pela falta de responsabilidade do Legislativo, poder que deveria ser fiscalizador e comprometido com a comunidade’’, disse o coordenador. O movimento também criticou a aprovação de diversos projetos autorizando a prefeitura a pagar com terrenos do município dívidas com empreiteiras.
A partir deste sábado, o movimento pretende manter na Praça Raposo Tavares, centro da cidade, uma assembléia popular permanente com o objetivo de chamar a atenção da população para a corrupção no município.
O prefeito afastado tem até o dia 1º de dezembro para apresentar a defesa por escrito à Comissão Processante que analisa o desvio de dinheiro da prefeitura. Com a publicação ontem em Diário Oficial do Município da segunda e última convocação de Gianoto, o prazo de dez dias começa a correr hoje.

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