O Movimento pela Moralização na Administração Pública reagiu ontem às declarações do presidente do Legislativo, Flávio Vedoato (PL), que criticou a atuação dos promotores que investigam a corrupção na Prefeitura de Londrina. Vedoato disse, na sessão de terça-feira, que os promotores não tinham ‘‘moral’’ para falar dos vereadores e que a Câmara tinha feito o ‘‘trabalho sujo’’ cassando o mandato do ex-prefeito Antonio Belinati (PFL). As acusações foram motivadas por uma nota publicada na coluna Informe Folha, lembrando que vereadores são investigados pelo MP.
‘‘As declações do Vedoato foram totalmente descabidas e injustas. Porque o MP é quem sempre esteve na vanguarda (contra a corrupção em Londrina) e a Câmara sequer foi a reboque do MP. O Movimento sim foi a reboque do MP e teve que empurrar a Câmara, que deveria fiscalizar e não fiscalizou’’, criticou o advogado Carlos Roberto Scalassara, integrante do Movimento.
Scalassara lembrou que quando a sociedade pediu a instalação de comissões processante e de inquéritos, contra Belinati, houve resistência de todos os tipos no Legislativo – incluindo adiamento de sessões. ‘‘E em nenhum momento vimos o atual presidente (Vedoato) mostrar indignação em relação aos adiamentos – na época em que o presidente era o Renato Araújo (PPB)’’, acrescentou. ‘‘Na verdade, o mérito da cassação do Belinati é especialmente do MP e da sociedade.’’
O advogado acrescentou: ‘‘É estranho chamar a cassação de um corrupto de ‘‘serviço sujo’’. Acho que a expressão mais adequada seria o serviço limpo. Isso foi um lamentável equívoco.’’ A Folha tentou ontem falar com Vedoato mas ele não compareceu à Câmara no período da tarde e o seu celular estava desligado, no final da tarde, e com a caixa postal cheia.
Além da reação do Movimento, as declarações de Vedoato também deverão ser analisadas pelo procurador geral de Justiça, Marco Antonio Teixeira. O procurador estará hoje em Londrina para um encontro sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.

mockup