O Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá deverá realizar na quinta-feira uma passeata com a participação de estudantes, professores, grupos da terceira idade e representantes de associações de bairros, contra a corrupção na política local. A passeata começou a ser organizada na última quinta-feira, véspera do segundo depoimento do ex-secretário da Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, que está preso sob acusação de desviar dos cofres públicos um montante que pode atingir R$ 100 milhões.
De acordo com um dos coordenadores do movimento, Alberto Wagner Abraão, a passeata ‘‘será uma importante demonstração do quanto os maringaenses estão indignados’’ com as denúncias de corrupção e roubo no meio político. ‘‘Maringá está doente politicamente’’, disse.
Segundo ele, depois da passeata pelas principais ruas de Maringá, os manifestantes deverão se reunir na Praça Raposo Tavares para debater a corrupção. ‘‘Queremos fazer uma verdadeira tribuna livre’’, promete o advogado.
Abraão foi procurador jurídico da Prefeitura de Maringá entre 1993 e 1994, durante a segunda gestão do ex-prefeito Said Ferreira. Ele disse ontem à Folha que não se surpreendeu com as denúncias de Paolicchi. Segundo ele, a corrupção denunciada pelo milionário ex-secretário da Fazenda é estrutural. ‘‘Independente do administrador, a corrupção sempre vai ocorrer se continuar o atual sistema de financiamento das campanhas’’.
O advogado Abraão disse também que o envolvimento do ex-prefeito Said Ferreira ocorreu por conta deste sistema de financiamento de campanhas. Ele afirmou que na época que assumiu a procuradoria trabalhou no combate à corrupção, denunciando diversas irregularidades da administração anterior (do ex-prefeito Ricardo Barros). ‘‘Entramos com mais de 80 ações, mas na época não fomos bem compreendidos, porque diziam que estávamos querendo nos vingar porque éramos oposição’’, acrescentou.

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