Integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina devem acompanhar novamente a sessão da Câmara de Vereadores, que acontece hoje, a partir das 14 horas. Será mais uma tentativa de pressionar os vereadores a discutirem a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Antonio Belinati (PFL).
A denúncia contra o prefeito foi protocolada em fevereiro pelo movimento, que colheu documentos junto ao Ministério Público para citar irregularidades na venda de ações da Sercomtel, na contratação do show da Xuxa para inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e na compra e uso de marmitex durante campanha eleitoral de 1998. Este caso é considerado fundamental pelo movimento, já que grande parte do dinheiro arrecadado com a venda das ações da Sercomtel (ocorrida em maio de 1998) teria sido desviado através de licitações irregulares.
A discussão sobre a CP da Sercomtel, como ficou conhecida, ficou parada até abril, por força de uma liminar que a defesa de Belinati conseguiu junto ao Tribunal de Justiça (TJ). Desde a derrubada do recurso do prefeito, a expectativa dos integrantes do movimento é que a CP seja instaurada o mais rápido possível.
Mas, na sessão realizada no dia 3, o presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB) decidiu engavetar a CP sob a argumentação de que outra comissão já tramita no Legislativo – a chamada CP do PAI (apura irregularidades na publicidade do Pronto Atendimento Infantil).
Integrantes do movimento e sete vereadores de oposição protocolaram requerimentos pedindo a reconsideração da decisão de Araújo. O presidente da Câmara saiu de licença médica sem analisar o pedido do movimento, mas indeferiu a dos vereadores sob a alegação que o requerimento foi protocolado fora do prazo estipulado. Numa tentativa de fazer valer o requerimento, o vereador Carlos Kita (PSDB) pediu uma diligência para elucidar uma divergência sobre o horário certo do protocolo do requerimento.
A promessa dada pelo presidente em exercício da Câmara, Jorge Scaff (PSB), na semana passada, é que a polêmica do horário será elucidado hoje. Se isso acontecer, a discussão sobre a comissão poderá finalmente ser retomada. Os integrante do movimento prometem comparecer em massa para acompanhar a discussão.
Se os trabalhos continuarem emperrados, as entidades poderão ingressar na Justiça. É que no requerimento encaminhado a Araújo, o movimento dá um prazo de 48 horas para ele se manifestar. Caso contrário, ingressarão no Ministério Público (MP) com uma representação contra Araújo, acusando-o de prevaricação – desrespeito a uma ordem judicial por interesse pessoal.
Para evitar qualquer tumulto na sessão de hoje, Scaff já anunciou que pedirá novamente reforço da Polícia Militar. Esta medida foi tomada na terça-feira, depois de uma sessão em que vários vereadores foram ofendidos com vaias, palavras de baixa calão e gestos obscenos. Esta atitude partiu de pessoas que se disseram simpatizantes de Belinati. Na sessão de quinta-feira, 15 PMs fizeram a segurança na Câmara. Naquele dia, os partidários do prefeito não compareceram. (L.O.)

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