Movimento popular repõe Brasil no caminho da democracia
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domingo, 25 de abril de 2004
Agência Brasil 
Brasília - Dia 25 de abril de 1984: milhares de pessoas tomam conta da Esplanada dos Ministérios para pedir eleições diretas já. Mesmo diante de policiais militares armados, a multidão permanece nas largas avenidas e no extenso gramado que leva à Praça dos Três Poderes, no triângulo em cujos vértices estão o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
O Brasil ainda está sob comando dos militares, que haviam tomado o poder em 1964. O presidente da República é o general João Baptista Figueiredo. No plenário da Câmara dos Deputados, o clima é tenso. Os parlamentares aguardam o início da votação da Emenda Constitucional 5, de autoria do deputado Dante de Oliveira (MDB-MT), com a proposta de eleições diretas para presidente da República, suspensas há 20 anos. O deputado Ulysses Guimarães (MDB-SP), conhecido como Senhor Diretas, antecipa, em discurso que seria interrompido 23 vezes pelos aplausos: ''A Pátria é o povo e o povo vencerá. Pode ser hoje, pode ser amanhã, mas é inevitável. E não demora''.
Já irrompe a madrugada do dia 26 de abril de 1984 quando a emenda Dante de Oliveira é derrotada, após 17 horas de discussão, por 298 votos a 65. Faltaram 22 votos para chegar à maioria de dois terços, necessária à aprovação da proposta de modificação da Constituição. É a última derrota sofrida pela democracia brasileira, depois de uma longa série iniciada em outra madrugada, a de 1º de abril de 1964, vinte anos antes, quando uma insurreição militar depôs o último presidente eleito pelo povo, João Goulart.
Lá fora do Congresso, o comandante Militar do Planalto, general Newton Cruz, montado num cavalo branco, chicoteia os carros que buzinam e ameaça prender todos os que vestem roupas amarelas - a cor que virou símbolo da campanha.
Com a rejeição da emenda, a decepção toma conta do país. Estudantes, trabalhadores, intelectuais, artistas e gente simples do povo protestam e decidem manter a luta para escolher o presidente do Brasil. Ulysses Guimarães e o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva haviam sido os principais responsáveis pela mobilização popular que levou milhares de pessoas aos 30 comícios organizados de 12 de janeiro a 16 de abril de 1984. E não desistiriam do propósito de restabelecer a normalidade democrática no País.
O ome do ex-governador Tancredo Neves (PSD-MG) é definido como candidato à Presidência da República na eleição indireta. A chapa oposicionista tem José Sarney como candidato a vice e acaba derrotando a do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, candidato avalizado pelos militares, no dia 15 de janeiro do ano seguinte.
Um dia antes da posse, marcada para 15 de março de 1985, Tancredo é submetido a uma cirurgia, seu estado de sa© úde se agrava e morre no dia 21 de abril de 1985. Sarney assume em definitivo e torna-se o último presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, dando início ao processo de redemocratização do país. A Constituição de 1988 resgataria os compromissos democráticos, cassados pela ditadura.


