Entidades ligadas ao Movimento pela Moralização na Administração Pública querem a prisão dos envolvido com o esquema de corrupção na Prefeitura de Londrina, o ‘‘Escândalo AMA/Comurb’’. O assunto será discutido no final da tarde de hoje, durante reunião na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o advogado Newton Moratto, o movimento também vai lançar uma campanha com a distribuição de adesivos, exigindo cadeia para os corruptos.
Moratto lembrou que o ex-prefeito Antonio Belinati já foi cassado, a Justiça quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico de vários envolvidos, mas a sociedade pergunta o que vai acontecer com os acusados. ‘‘A grande pergunta que a população tem feito é quando esse pessoal vai para a cadeia. O movimento, como catalizador de toda essa angústia, desse assombro, incorpora essa indignação’’, afirmou.
De acordo com o advogado, a ‘‘Moralidade’’ também vai solicitar das
autoridades que os processos andem o mais rápido possível’’ e que os envolvidos sejam condenados. ‘‘Muito provavelmente iremos a Curitiba pedir ao presidente do Tribunal de Justiça a designação de um juiz para cuidar especialmente desses casos’’. Segundo Moratto, o Ministério Público (MP) mostrou que essa medida é eficaz, quando deslocou um promotor específico para as ações referentes ao Patrimônio Público.
Moratto acredita que será possível recuperar parte dos recursos desviados da Prefeitura de Londrina. ‘‘O Ministério Público está trabalhando pra isso. A questão é se vamos recuperar todo o dinheiro, porém muitos já estão com seus bens indisponíveis’’, comentou. A reunião marcada para hoje à tarde na OAB teve contar com a participação de representantes das 87 entidades que fazem parte do Movimento. O encontro também é aberto à população.
As investigações do escândalo AMA/Comurb começaram em fevereiro de 99, após denúncia de fraude no serviço de capina e roçagem feito pela empresa Tâmara, contratada pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Em seguida os promotores investiram contra a extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Após uma devassa nos arquivos da Comub, foram apreendidos documentos revelando a existência de licitações e contratos fraudulentos.
No final do ano passado o MP já havia ingressado na Justiça com nove ações, envolvendo 117 réus. Mais de 100 pessoas tiveram seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrados, entre políticos empresários e ‘‘laranjas’’ do esquema do corrupção. Entre os envolvidos estão o ex-prefeito Antônio Belinati e seus familiares, o ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan e o deputado federal José Janene (PPB).
Em uma ação criminal proposta pelo MP estadual, foi solicitada a prisão de Belinati, Pavan, e mais sete envolvidos. Todos foram acusados de orquestrar uma fraude para que o município indenizasse a cantora Maria da Graça ‘‘Xuxa’’ Menghel. Xuxa faria um show na inauguração do Pronto Atendimento Infantil, mas a apresentação foi cancelada por causa da repercussão negativa.
Até agora o empresário e doleiro Alberto Youssef, acusado de se beneficiar do esquema de corrupção, foi o único a ser preso. Após 18 dias detido, Youssef foi solto por decisão do Tribunal de Justiça. Na quinta-feira o TJ negou habeas-corpus para o doleiro, que deve se apresentar hoje à polícia e ser preso novamente.

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