Movimento pedirá prisão de corruptos
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de abril de 2001
Lino Ramos de Londrina 
Entidades ligadas ao Movimento pela Moralização na Administração Pública querem a prisão dos envolvido com o esquema de corrupção na Prefeitura de Londrina, o Escândalo AMA/Comurb. O assunto será discutido no final da tarde de hoje, durante reunião na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o advogado Newton Moratto, o movimento também vai lançar uma campanha com a distribuição de adesivos, exigindo cadeia para os corruptos.
Moratto lembrou que o ex-prefeito Antonio Belinati já foi cassado, a Justiça quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico de vários envolvidos, mas a sociedade pergunta o que vai acontecer com os acusados. A grande pergunta que a população tem feito é quando esse pessoal vai para a cadeia. O movimento, como catalizador de toda essa angústia, desse assombro, incorpora essa indignação, afirmou.
De acordo com o advogado, a Moralidade também vai solicitar das
autoridades que os processos andem o mais rápido possível e que os envolvidos sejam condenados. Muito provavelmente iremos a Curitiba pedir ao presidente do Tribunal de Justiça a designação de um juiz para cuidar especialmente desses casos. Segundo Moratto, o Ministério Público (MP) mostrou que essa medida é eficaz, quando deslocou um promotor específico para as ações referentes ao Patrimônio Público.
Moratto acredita que será possível recuperar parte dos recursos desviados da Prefeitura de Londrina. O Ministério Público está trabalhando pra isso. A questão é se vamos recuperar todo o dinheiro, porém muitos já estão com seus bens indisponíveis, comentou. A reunião marcada para hoje à tarde na OAB teve contar com a participação de representantes das 87 entidades que fazem parte do Movimento. O encontro também é aberto à população.
As investigações do escândalo AMA/Comurb começaram em fevereiro de 99, após denúncia de fraude no serviço de capina e roçagem feito pela empresa Tâmara, contratada pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Em seguida os promotores investiram contra a extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Após uma devassa nos arquivos da Comub, foram apreendidos documentos revelando a existência de licitações e contratos fraudulentos.
No final do ano passado o MP já havia ingressado na Justiça com nove ações, envolvendo 117 réus. Mais de 100 pessoas tiveram seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrados, entre políticos empresários e laranjas do esquema do corrupção. Entre os envolvidos estão o ex-prefeito Antônio Belinati e seus familiares, o ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan e o deputado federal José Janene (PPB).
Em uma ação criminal proposta pelo MP estadual, foi solicitada a prisão de Belinati, Pavan, e mais sete envolvidos. Todos foram acusados de orquestrar uma fraude para que o município indenizasse a cantora Maria da Graça Xuxa Menghel. Xuxa faria um show na inauguração do Pronto Atendimento Infantil, mas a apresentação foi cancelada por causa da repercussão negativa.
Até agora o empresário e doleiro Alberto Youssef, acusado de se beneficiar do esquema de corrupção, foi o único a ser preso. Após 18 dias detido, Youssef foi solto por decisão do Tribunal de Justiça. Na quinta-feira o TJ negou habeas-corpus para o doleiro, que deve se apresentar hoje à polícia e ser preso novamente.


