Movimento pede que juiz reconsidere sua decisão
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O Movimento pela Moralização na Administração Pública esteve reunido ontem à tarde o juiz da 7ª Vara Cível de Londrina, José Cichocki Neto. O objetivo do encontro foi pedir para que o juiz faça uma reflexão e reconsidere a decisão de conceder liminar suspendendo os efeitos do decreto legislativo que cassou o mandato do prefeito Antonio Belinati (PFL). A defesa de Belinati ingressou com mandado de segurança argumentando que o voto do vereador Orlando Bonilha (PDT), na sessão de julgamento, foi motivado por vingança.
Levamos ao juiz a preocupação da sociedade em relação a essa decisão, explicou Valter Orsi, representante da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Pudemos registrar a indignação que essa liminar causou porque trata-se de um prefeito responsável por desvios de pelo menos R$ 16 milhões e que foi cassado numa sessão histórica, acrescentou.
Ainda segundo Orsi, vários membros do movimento se manifestaram durante o encontro com Cichocki e disseram que a liminar deixou a cidade perplexa. Londrina está sendo hoje para o Brasil um exemplo pela organização da sociedade, pela atuação do MP, dos juízes, da Câmara e da imprensa. E essa decisão nos coloca numa situação na contra-mão do que vem ocorrendo.
As portas do gabinete estão sempre abertas e tenho por hábito receber a todos, afirmou José Cichocki Neto, após o encontro. Apesar disso, o juiz explicou que o pedido do movimento não influencia em suas decisões sobre o caso até porque qualquer pedido de reconsideração deve ser feito por uma das partes do processo.
Na verdade foi uma conversa informal, onde foram colocadas as preocupações sociais que a decisão poderia acarretar. E toda decisão judicial sempre provoca alterações no seio da sociedade. Isso é próprio do direito, que vive de fatos. Mas conceder liminar é comum, é um trabalho diário, e o juiz não pode ficar preocupado com repercussões positivas ou negativas, embora também não deva estar alheio à sociedade, disse Cichocki.


