Movimento negro prepara ato contra presidenciável
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segunda-feira, 12 de agosto de 2002
Agência Folha 
Salvador Cerca de 15 entidades do movimento negro participam hoje à tarde, em Salvador, de uma manifestação contra o presidenciável Ciro Gomes. O protesto acontece uma semana depois de o candidato da Frente Trabalhista (PPS-PDT-PTB) se recusar a ceder o microfone para o estudante Rafael Santos, em debate na Universidade de Brasília (UnB).
Durante a manifestação uma passeada do Campo Grande à praça da Sé (centro) , as entidades também vão distribuir à população um manifesto pedindo boicote à candidatura do ex-governador cearense.
''Ciro Gomes demonstrou que não merece o voto dos negros, ao responder de forma irônica e grosseira a um estudante'', disse Ivonei Pires, 36 anos, coordenador estadual do Movimento Negro Unificado (MNU).
Na terça-feira passada, quando se discutia o sistema de cotas para negros nas universidades públicas, Ciro impediu o estudante Santos de externar a sua opinião. Ele disse que dar voz a ele, quando as regras não previam isso, apenas reforçaria o racismo.
Além da manifestação, que terá as presenças dos dois principais blocos afros da Bahia (Olodum e Ilê Ayiê), o MNU também disse que vai ingressar na Justiça com uma ação contra Ciro Gomes. ''Nossos advogados entendem que houve crime de racismo'', disse Pires. Ciro não foi localizado para comentar esse caso específico ontem.
Ontem à tarde, o MNU da Bahia iniciou a postagem de cartas para todas as entidades que lutam pela igualdade racial no Brasil, solicitando que os seus integrantes façam campanha contra Ciro.


