Mais de 20 entidades, entre associações de bairros e sindicatos de trabalhadores, aderiram ontem à ‘‘cruzada da cidadania’’, que vai manter atividades até o final deste mês pela moralização do poder público em Maringá. O primeiro trabalho, iniciado ontem pelos organizadores da cruzada, será manter a população informada sobre o processo que cobra a punição aos responsáveis pelo desvio de dinheiro público e pela devolução dos valores. O desvio pode passar de R$ 100 milhões.
Um dos organizadores da cruzada, o ex-vereador Aldi Mertz, explica que a idéia é fazer do cruzamento da Rua Santos Dumont com a Avenida Getúlio Vargas, um ponto de luta pela cidade. ‘‘Estaremos abertos a qualquer manifestação que defenda os interesses de Maringᒒ, diz Mertz. A campanha atual, lembra ele, começou há algumas semanas, com a distribuição de adesivos com os dizeres ‘‘Prisão e devolução já – Maringá contra corrupção’’.
Para manter a população informada e atrair novas entidades para a causa, foi montado um painel no local, onde estão cópias de parte dos cheques desviados do município e de depósitos nas contas do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). São cheques e depósitos realizados entre 1997 e 1999, de valores que vão de R$ 16 mil a R$ 70 mil. ‘‘Os jornais já falaram sobre isso, mas nem todo mundo tem acesso’’, lembrou Mertz.
O professor Alécio Silva, que passava pelo local, ficou surpreso com as cópias. ‘‘Como ninguém desconfiava de cheques da prefeitura com ordem de transferência para a conta do prefeito?’’, questionou. A cruzada pretende também ampliar a divulgação do rombo pela cidade. Para isso busca junto às entidades e empresas o patrocínio para a instalação de painéis publicitários, mostrando à população o esquema de desvio e quem foi beneficiado. ‘‘Queremos colocar pelo menos 20 outdoors’’, afirmou Mertz.
O ato de lançamento da cruzada marcou também os 120 dias de prisão do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, completados ontem. Paolicchi é o principal acusado dos desvios de dinheiro público em Maringá e está preso desde o início de dezembro. ‘‘Queremos também cobrar a punição a todos os envolvidos imediatamente.’’

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