Movimento faz passeata contra candidato do PPS
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terça-feira, 13 de agosto de 2002
Luiz Francisco<BR>Agência Folha 
Salvador - Uma passeata que percorreu as principais ruas do centro histórico de Salvador, no início da noite, e uma nota de repúdio marcaram ontem as manifestações contra o presidenciável Ciro Gomes (PPS), na Bahia, organizada por 24 entidades que lutam pelos direitos dos negros.
No início do mês, o presidenciável do PPS perdeu a paciência durante debate na Universidade de Brasília (UnB), no momento em que se discutia a política de cotas para alunos negros em universidades. Um estudante de artes cênicas, Rafael dos Santos, tentou questionar a posição de Ciro, mas o candidato não permitiu que ele falasse ao microfone.
''Ninguém falou no microfone. Só porque ele é um negro lindo vai falar no microfone? Isso é demagogia, isso é o que discrimina o negro. Só porque é negro, fica com peninha e dá o microfone?'', disse Ciro à época.
Com a presença do próprio estudante Rafael dos Santos, a manifestação contra o presidenciável reuniu cerca de 1,5 mil pessoas, segundo estimativas da PM.
Com faixas e cartazes, os manifestantes pediram aos eleitores boicote ao candidato. ''Ciro Gomes, não queremos entrar na universidade só porque somos negros lindos'', dizia uma das faixas, em referência à resposta do ex-governador do Ceará ao estudante Santos.
Outra faixa pedia a implantação de cotas para negros nas universidades, medida que não conta com o apoio de Ciro Gomes. ''Cota para negros não é esmola, é pagamento de dívida'', dizia o texto.
Pivô da manifestação, o estudante Rafael Santos disse que Ciro Gomes desconhece a realidade brasileira. ''Ao me impedir de falar, o candidato demonstrou o seu despreparo intelectual e revelou a sua truculência. Por mais que os marqueteiros tentam disfarçá-lo, para mim ele é igual ou pior do que o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Melo)''.


