O MST marcou para hoje uma caravana, com as presenças de políticos e representantes de igrejas, até a fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG). Por volta das 11 horas, está prevista a realização de um culto ecumênico. Cerca de 500 sem-terra estão acampados desde anteontem em frente à sede da fazenda.
Depois de uma reunião ontem na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Gilberto Portes, da coordenação do MST, informou que o movimento só aceita ceder e concorda com a exigência do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, para a retirada dos sem-terra da região de Buritis com a condição de que o governo marque uma reunião com representantes do MST e mostre que está disposto a aceitar as reivindicações. ‘‘Mas queremos uma reunião de trabalho e não um teatro’’, afirmou Portes.
Segundo ele, o MST também poderá orientar para que os sem-terra deixem a vigília em frente das sedes do Incra nos Estados. ‘‘Mas não voltaremos para casa sem nada’’, garantiu. ‘‘Poderemos acampar nas praças’’, disse o dirigente.
Ontem, em solidariedade ao grupo que está acampado em frente à fazenda em Buritis, outro grupo, também de 500 sem-terra, acampado em frente do prédio do Incra, em Campo Grande, começou um jejum de 48 horas. O protesto é para exigir do governo o atendimento das reivindicações do MST. Protestos também estão sendo realizados em 12 Estados.
Os manifestantes pedem agilidade na desapropriação de fazendas para serem transformadas em assentamentos e liberação de recursos com o objetivo de serem aplicados no custeio agrícola dos assentamentos. A ordem entre os manifestantes é apenas tomar água, até mesmo as crianças.
O acampamento dos sem-terra em Campo Grande foi montado no canteiro central da Avenida Afonso Pena. Os manifestantes, segundo um dos coordenadores do MST, Olímpio Frares, estão preocupados com o risco de acidentes de trânsito, principalmente com crianças. No início da noite, elas deixam a avenida para ir até o acampamento montado no Mercado do Produtor, uma obra inacabada do governo do Estado, onde passariam a noite.
Os protestos do MST que tiveram início ontem em 12 Estados reuniram, segundo o movimento, pelo menos cinco mil pessoas. A maior concentração aconteceu em Porto Alegre (RS), onde pelo menos 2 mil integrantes do MST acamparam no saguão do prédio do Ministério da Fazenda. Dos acampados, 150 iniciaram um jejum. Também em greve de fome, 50 integrantes do MST de Fortaleza (CE) fizeram manifestações em frente à sede regional do Incra.
No Paraná, na Paraíba, em Alagoas e em São Paulo (Pontal do Paranapanema), as concentrações de sem-terra em frente a prédios públicos devem começar hoje.

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