São Paulo- O movimento estudantil de hoje é menos politizado do que era nas décadas de grande enfrentamento ideológico - dos anos 50 ao começo dos anos 80 - opinaram antigas lideranças estudantis das mais variadas tendências ouvidas pela reportagem da ''Agência Estado''. A utopia socialista deixou de existir e hoje muitos estudantes trabalham, afirmou o governador José Serra (PSDB), presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1964. ''Ficou uma coisa mais amorfa, uma organização mais fluida, mais despolitizada, o que não significa que não tenha energia e generosidade'', afirmou Serra, fundador da Ação Popular (AP), tendência majoritária nos anos 60 e 70.
''Naquela época, certo ou errado, o movimento estudantil tinha mais projeto de sociedade e lógica política na atuação. Não estou avaliando se era ingênuo ou não, se estava dentro das possibilidades históricas ou não. Mas era mais politizado'', disse Serra.
''A mobilização hoje não tem o mesmo sentido histórico daquela época'', reconhece o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), importante liderança da tendência Refazendo e eleito na reconstrução do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, em 1976. Como Serra - com quem disputou o governo de São Paulo em 2006 -, ele é egresso da AP, a histórica tendência que misturava marxismo com cristianismo e dominou o movimento estudantil (ME) até a fundação do PT, em 1980.
O ex-ministro José Dirceu, presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo em 1967, disse à reportagem da ''Agência Estado'' que o atual ME está dessintonizado com a universidade e rebateu as críticas à política universitária do governo Lula.
Dirceu prega um grande debate sobre o papel da universidade pública e aponta caminhos: por meio de parcerias, a universidade pública pode desenvolver pesquisas e promover capacitação profissional para a empresa privada. ''As empresas não buscam só o lucro'', advertiu.
Dirceu afirma que depois das prisões de Ibiúna, em outubro de 1968, quando ele próprio, líder mais destacado da UNE, foi preso e depois deportado, houve algum tipo de articulação que permitiu a realização dos ''congressinhos''.
Mas, depois de 1971, as sombras desceram sobre o ME e praticamente todas as articulações foram perdidas. A retomada começou a se dar em 1973, a partir da USP e, principalmente, a partir da Faculdade de Filosofia. ''A Filosofia e o Crusp (Conjunto Residencial da USP) foram o coração do novo ME'', afirma Dirceu.
O jornalista Frederico Pessoa, da tendência Unidade, que lideraria o DCE em 1979, lembra que os primeiros movimentos foram em 1973 e não puderam contar com os setores de esquerda que tinham optado pelas guerrilhas urbana e rural, dizimadas nos anos anteriores.

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