O Movimento pela Moralização da Administração Pública de Londrina deve avaliar na próxima terça-feira o arquivamento da denúncia feita à Câmara Federal contra o deputado José Janene (PPB), acusado pelo Ministério Público (MP) de se beneficiar com recursos desviados da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas. A decisão de arquivar o processo foi tomada esta semana pela mesa diretiva da Câmara, presidida pelo deputado Michel Temer (PMDB-SP), que acatou parecer do corregedor Severino Cavalcanti (PPB-CE).
‘‘Não estranhei essa decisão porque o corregedor é do mesmo partido que o José Janene e existe um corporativismo muito forte em Brasília. Para que um deputado seja cassado, a pressão popular dos meios de comunicação tem que ser forte’’, disse padre Manoel Joaquim, integrante do movimento.
Já o deputado Severino Cavalcanti defendeu ontem o arquivamento do processo. Ele argumentou que a Justiça já analisa o caso e não cabe à Câmara abrir novo processo. Mesmo que existam, em tese, provas ou evidências para justificar tal medida. ‘‘A coisa está sub judice. Já pensou se tomamos uma posição e a Justiça inocenta?’’, questionou.
Cavalcanti citou o caso do ex-deputado Hidelbrando Pascoal (sem partido-AC), cassado, acusado de vários crimes. Segundo o corregedor, o processo foi provocado pela Câmara e só depois a Justiça passou a investigar. Antes, acrescentou, outra denúncia contra Hidelbrando teria sido arquivada porque já estava sendo avaliada pela Justiça.

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