Um dia cheio de surpresas, que começou com decepção e terminou com um grande alívio. Foi assim que representantes das entidades que formam o Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina classificaram as duas decisões anunciadas ontem pelo Tribunal de Justiça (TJ) e posteriormente pela Justiça de Londrina.
‘‘Temos de observar que se trata de uma segunda ação que a Justiça local concede contra o prefeito’’, afirmou o presidente da sub-seção de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti. Ele se referia à decisão do juiz da 8ª Vara Cível, José Roberto Pinto Júnior, que afastou novamente Belinati do cargo. A defesa do prefeito já anunciou que ingressará com um recurso junto ao TJ, mas Zanetti afirmou estar otimista na manutenção da decisão por se tratar de uma ação definitiva e não de uma medida cautelar.
Na opinião do presidente da OAB, caso Belinati não seja intimado pelos oficiais de justiça, o juiz da 8ª Vara Cível poderá determinar que a Câmara de Vereadores assuma a responsabilidade de colocar alguém no cargo. Isso desde que haja evidências que o prefeito esteja sabendo da decisão. ‘‘A sociedade espera que ele tenha outro comportamento e não se esconda; que enfrente com as armas jurídicas’’, afirmou.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Moratto, também comemorou a decisão do juiz da 8ª Vara Cível e criticou a liminar favorável ao prefeito concedida no TJ. Para ele, os juízes de Londrina têm demonstrado melhores condições de avaliar os fatos envolvendo corrupção na Prefeitura de Londrina. ‘‘O importante é a interpretação dos fatos; e é nisso que o TJ esteja talvez falhando. Nesse momento é importante que o tribunal prestasse mais atenção nos fatos e, se houver novo recurso, tome mais cuidado’’, disse. Como exemplo, ele lembrou que o juiz da 6ª Cível, Celso Saito, analisou a medida cautelar que afastou o prefeito, pela primeira vez, durante uma semana; e em poucas horas o TJ reconduziu Belinati ao cargo.
A vereadora Elza Correia (PMDB) ressaltou que a cidade está vivendo uma guerra de liminares. ‘‘Embora difícil, trata-se de um processo que faz parte da democracia’’, afirmou. Ela disse que a expectativa agora é de que a Justiça possa notificar finalmente o prefeito. ‘‘Queremos o restabelecimento da verdade, que os culpados sejam punidos e que os recursos voltem para os cofres públicos’’, observou.
A vereadora disse que está ficando cada vez mais difícil para o prefeito, alvo de duas Comissões Processantes (CPs) na Câmara e ainda citado em duas medidas na Justiça. ‘‘Pesam sobre a cabeça dele acusações gravíssimas’’, lembrou. Elza Correia foi a primeira a denunciar ao MP que havia irregularidades na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).

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