O primeiro manifesto do Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá, que cobra a cassação do prefeito Jairo Gianoto (PSDB), reuniu um público reduzido mas combativo ontem na Praça Raposo Tavares. Cerca de 50 pessoas, a maior parte representantes das 38 entidades que fazem parte do movimento, compareceram no manifesto. ‘‘Neste primeiro ato buscamos abrir o movimento à população, para ampliar a participação da comunidade nas ações futuras’’, explicou o advogado Alberto Abrão Wagner da Rocha, um dos coordenadores do movimento.
As poucas pessoas de fora do movimento que se inscreveram para falar mostraram consciência da gravidade das denúncias contra o prefeito. Gianoto e o ex-secretário de Fazenda do município, Luis Antônio Paolicchi, além dos servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa são acusados de participar de um esquema de desvio de dinheiro da prefeitura. Pelas provas levantados pelo Ministério Público (MP), Paolicchi ficou com R$ 2,6 milhões e Gianoto com R$ 549 mil.
‘‘Pagamos impostos e taxas de todo tipo, e não vemos resultados em benefícios à população’’, disse um morador do centro, que se identificou apenas como Ângelo. Ele lembrou que a mobilização popular não deve se resumir às entidades. ‘‘O movimento é do cidadão que está se sentindo humilhado diante destas denúncias’’, lembrou o engenheiro Samir Jorge.
O importante agora, segundo Alberto Wagner da Rocha, é que os protestos se avolumem e gerem pressão para que a Comissão Processante (CP), aprovada pela Câmara na quinta-feira passada, chegue à cassação de Gianoto. A palavra de ordem do movimento é ‘‘dá tempo sim’’, para mostrar aos vereadores da base de apoio ao prefeito que existem condições de cassação apesar do final de ano. Rocha lembra que amanhã a CP já deve citar Gianoto, que terá dez dias para apresentar a defesa. O movimento pretende realizar pelo menos uma manifestação por semana, até que todos os envolvidos sejam punidos e o dinheiro desviado devolvido.
‘‘Como principal interessado em todo processo, o prefeito deveria se apresentar de imediato’’, sentencia Rocha. Gianoto está licenciado do cargo desde o dia 26 de outubro, um dia depois de o Ministério Público pedir à Justiça o afastamento dele. ‘‘Ele ainda é prefeito e tem que estar na cidade para não impedir a citação.’’ Rocha acha que se Gianoto criar dificuldades para a CP, estará assumindo a culpa. A vereadora Aparecida ‘‘Bia’’ Fabiana Corrêa (PT) lembrou que quando disse que existia ‘‘roubo’’ na prefeitura, foi processada por Gianoto,
‘‘Agora temos provas de que o roubo existia mesmo, e como fica?’’, questionou. Bia aproveitou para convocar as pessoas a comparecerem nas próximas sessões da Câmara e ‘‘pressionar’’ os vereadores nos projetos polêmicos. Os advogados Wilson Quinteiro e Matheus Felipe de Castro, indicados pela OAB para fazer a assessoria jurídica da CP, também acompanharam o protesto.
Segundo Quinteiro, os trabalhos serão iniciados amanhã. ‘‘Pelo que já sei do processo existem provas consistentes, e, ao que tudo indica, precisaremos juntar apenas a defesa documental do prefeito’’, analisa.

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