Representantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina acreditam que esta será uma semana decisiva tanto no Ministério Público quanto na Câmara de Vereadores em relação aos destinos das investigações sobre as denúncias de corrupção na administração do prefeito Antonio Belinati (PFL).
Um dos integrantes do movimento, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Moratto, acredita que até quarta-feira as primeiras ações da promotoria começarão a ser ajuizadas contra os acusados de participação no esquema conhecido como escândalo AMA-Comurb. Anteontem, um dos promotores que cuidam do caso, Cláudio Esteves, admitiu que as ações serão propostas ‘‘em breve’’.
Até agora, o MP descobriu rombo de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres públicos. Parte do dinheiro foi desviado para campanha eleitoral por meio de licitações fraudadas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
Moratto acredita ainda que o fato de as duas filhas do prefeito – Simone e Cyntia – terem sido ouvidas na sexta-feira, em Curitiba, demonstra que as investigações estão em fase final. Falta ouvir o outro filho, o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), que não foi encontrado ontem pela Folha. Ele não estava em casa. Sua assessoria informou que o deputado estava na região, mas não conseguiu localizá-lo.
‘‘Acredito piamente que as primeiras ações saem esta semana e isso transforma a investigação da promotoria em mais uma iniciativa concreta, quando se ganha uma nova frente junto ao Judiciário’’, analisou o presidente do Centro de Direitos Humanos (CHD) de Londrina, Carlos Roberto Scalassara.
Em relação à Câmara, o movimento aposta que o presidente da Casa, Renato Araújo (PPB), reconsidere sua decisão sobre a abertura de uma outra Comissão Processante (CP). Na semana passada, ele engavetou a CP sem passar pela análise do plenário. A comissão, proposta pela OAB e por outras 74 entidades que integram o Movimento pela Moralização, investigaria a venda das ações da Sercomtel para a Copel, a compra de marmitas para a campanha eleitoral e a contratação de um show artístico.
‘‘Estamos confiantes em uma reconsideração do presidente da Câmara, principalmente depois da decisão do juiz da 5ª Vara Cível’’, explicou Moratto. O juiz Alberto Junior Veloso negou mandado de segurança impetrado pelo prefeito para tentar barrar a CP e observou que, para instaurar uma investigação deve ser seguido o decreto-lei 201/67. De acordo com o presidente da OAB, Lauro Zanetti, o decreto prevê a votação da CP em plenário. A OAB ameaça recorrer à Justiça caso Araújo não reveja sua posição.
A partir de amanhã, a outra CP, criada para investigar denúncias de gastos excessivos e promoção pessoal de Belinati na publicidade de inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), começa a intimar as dez testemunhas arroladas pelo prefeito para depor no próximo dia 15. O presidente da comissão, Osvaldo Bergamin (PMDB), informou ontem que Belinati e sua defesa serão notificados para que possam acompanhar os depoimentos. O prefeito foi procurado, mas sua assessoria informou que não o localizou.

mockup